O algodão está voltando
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Reportagem Local 
Aos poucos, o Estado do Paraná está voltando a plantar algodão, agora como alternativa de diversificação e não mais como produção de escala, ou monocultura das grandes propriedades. As condições são bem diferentes daquelas praticadas até o início dos anos 70, quando o Estado respondia por 29% da produção nacional. Trinta anos atrás, a soja ainda estava chegando e o agricultor brasileiro não havia descoberto as novas fronteiras agrícolas do Mato Grosso.
Plantio direto, com uma boa distribuição de sementes, que dispensa a raleação (desbaste); menos veneno, variedades mais produtivas, colheita mecânica ou, quando não, com mão-de-obra familiar. São alguns pontos de mudanças.
O cultivo do algodão deste século dispensa a enxada, usa menos da metade do veneno (ainda assim mais do que soja e milho), conta com variedades mais produtivas, maturação uniforme, boa tolerância à pragas e doenças. E quem quiser tentar tem a garantia da venda antecipada e fornecimento dos insumos para descontar na colheita.
Boa renda - O produtor João Francisco, do bairro Jacutinga, em Cambé, destina 5 alqueires para o algodão, dos 80 alqueires que acaba de plantar nesta safra de verão em que predomina a soja e tem no milho a segunda opção, com área bem menor.
A área é pequena mas João Francisco pretende aumentar ano que vem. Afinal, ele não tem do que se queixar em termos de algodão, desde os velhos tempos. Tudo o que conseguiu como agricultor - vários pequenos sítios na região e em Mato Grosso - foi graças ao algodão.
Francisco está na região desde 1948, é considerado um produtor experiente, faz uso de boa tecnologia e conta com o filho Adilson Aparecido Francisco, o braço direito do trabalho no campo.
600 arrobas - Na estimativa do engenheiro agrônomo Evandro Mendes, da Cooperativa Integrada, a produtividade deve chegar a 600 arrobas por alqueire. O custo previsto, somando todas as operações, inclusive aluguel da colheitadeira, deve atingir a 260 arrobas/alqueire. ''O que passar disso, cerca de 330 arrobas, é lucro'', garante.
Maior parte da produção já está negociada por R$ 20,00 a arroba, garantidos pela cooperativa.
Em resumo, a previsão é de que o produtor deva ter um lucro líquido de R$ 6.000 por alqueire, maior que a soja que, no caso de Francisco, gira em torno de 30 sacas/alqueire, considerando uma produtividade média (de todas as propriedades) de 30 sacas/alqueire.


