O agrônomo e pesquisador aposentado, José Lemos, está mudando a paisagem de Araçatuba, no interior de São Paulo. No lugar de pastagens sazonais, com capim seco durante o inverno e uma capacidade média de suporte de uma cabeça de gado por hectare (ha), Lemos tem divulgado a possibilidade de se ter capim verde em qualquer estação, com até três cortes por ano, e uma capacidade média de 3,5 animais por hectare.
A fórmula é usar um adubo foliar, à base de vários metais químicos, para devolver a nutrição das plantas e a vitalidade dos pastos. Segundo Lemos, é usado o protótipo de um reator, para misturar macro e micronutrientes num adubo foliar, aplicado tres vezes ao ano nas pastagens.
A tecnologia utilizada foi desenvolvida com base em experiências feitas em Israel e na Europa, agora adaptada aos solos e clima brasileiros. Além dos macronutrientes básicos da agricultura, o NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), entram na fórmula enxofre, magnésio, boro, zinco e manganês.
O reator mistura tudo, dissolve, filtra, adiciona água e espalhante. O adubo sai pronto para ser rapidamente absorvido pelo sistema foliar do capim, chegando às raízes entre 12 e 24 horas após a aplicação. Em 10 ou 12 dias, todo o adubo é metabolizado pelas plantas.
Melhora geralDe acordo com o agrônomo, mais de 200 grandes propriedades do interior de São Paulo já estão adotando o sistema, apoiado pela nova geração de veterinários, agrônomos, zootecnistas e outros técnicos.
Cada um dos ingredientes do adubo atua na melhora geral das plantas. Além de se ter pasto mais vigoroso e nutritivo, o custo do procedimento fica entre 10% e 12% do que se gasta com a adubação foliar tradicional. A maioria dos adubos foliares à venda no mercado têm custo em torno dos R$ 80,00 a R$ 100,00 por hectare. O custo da aplicação indicada por José Lemos ficaria entre R$ 9,00 e R$ 10,00 por hectare.
O produtor só deve tomar o cuidado de fazer a correção de pH do solo de forma adequada, alerta Lemos. De acordo com o pesquisador, o primeiro passo antes de nutrir o pasto é cuidar da acidez da terra. O calcário, afirma, deve ser branco, com pH de 10 a 11 e não 8,5 e 8,8 como os calcários cinzentos.
A formulação do adubo vai depender do estado da pastagem e do tipo de solo onde está instalada. Não existe, por exemplo, garante Lemos, compactação por pisoteio. A pastagem fica aparentemente compactada pela falta de nutrientes nas plantas. ‘‘Como fortalece o sistema radicular, este adubo foliar aumenta também a resistência ao pisoteio, evitando a compactação dos solos’’, acrescenta.
A intenção de José Lemos é montar diversas indústrias de pequeno porte, ‘‘por todo o País’’. E sem fazer segredo da fórmula ou do processo de produção. A montagem da primeira fábrica, calcula, deverá custar cerca de R$ 30 mil, mais R$ 100 mil em matérias-primas para as quais o pesquisador está agora buscando financiamento, embora já esteja produzindo o adubo foliar para alguns fazendeiros criadores de gado e cavalos. Ele acredita também que cooperativas tenham mais estrutura para disseminar o manejo de adubação em pastagens e incentivar a tecnologia entre os pecuaristas.

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