Número de análises é muito baixo
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sexta-feira, 19 de setembro de 1997
Cristina Côrtes 
Milton DóriaO químico Décio Zocoler é o responsável pela Rede de Laboratórios de Solos do IaparO número de análises de solos realizadas pela Rede de Laboratórios de Solos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) diminuiu nos últimos dois anos. Estima-se que a redução alcance os 30%. Considerando a época de maior demanda deste serviço, que vai de março a setembro, este ano foram realizadas até agora 25 mil amostras, enquanto em anos anteriores o número variava de 40 a 50 mil amostras anuais.
A informação é do químico responsável pelos Laboratórios de Solos do Iapar, Décio Carlos Zocoler. Para se conhecer bem uma área, é necessário uma amostra a cada 10 hectares (ha), explica Décio. Em levantamento recente foi constatado que no Paraná são feitas 120 mil análises/ano. Considerando a área agricultável do Estado (aproximadamente 6 milhões de hectares), deveriam ser analisadas 600 mil amostras de solos por ano.
Com um custo relativamente baixo de R$10,50 por amostra, a análise de solo é um instrumento muito importante para o produtor ter uma orientação correta e econômica na utilização dos insumos, comenta Décio.
LaboratóriosNo Paraná existem atualmente 20 laboratórios de análise de solos, sendo cinco pertecentes ao Iapar, localizados em Londrina (sede), Campo Mourão, Cascavel, Pato Branco e Ponta Grossa. Eles foram montados há quase 20 anos e já passaram por algumas modificações e modernizações, para melhor atender a demanda junto aos pesquisadores e produtores.
Desde 86 os laboratórios de solos do Paraná vêm sendo fiscalizados por um programa de controle de qualidade. São programas regionais, em função da metodologia empregada, e que têm melhorado muito a qualidade dos serviços, diz Décio. Com este objetivo foi criada uma instituição autônoma e sem fins lucrativos, a Comissão Estadual de Laboratórios Agronômicos (CELA), que analisa periodicamente amostras idênticas encaminhadas para todos os laboratórios. Estas amostras retornam para a coordenação da comissão, que a partir daí pode identificar os laboratórios que não estejam cumprindo as normas.
O controle é bimestral, e anualmente é atribuido um conceito a cada laboratório em função da qualidade de sua análise. A cada ano é distribuido um selo que identifica o laboratório como integrante deste programa de qualidade. O produtor deve observar se o laboratório tem este selo, quando pegar os resultados de suas amostras, como garantia de que os índices são confiáveis, aconselha.
ColetaDécio Zocoler destaca que o procedimento de coleta do solo a ser analisado é fundamental para um bom resultado, ou seja, um diagnóstico correto. O produtor deve procurar a assistência técnica para ter orientações sobre como coletar, quantas amostras por área e tipos de embalagens.
As análises laboratoriais, por mais sofisticadas que sejam, do ponto de vista operacional e instrumental, não corrigem as falhas de uma coleta deficiente no campo. Em publicação do Iapar do ano passado, pesquisadores reuniram diversas informações e instruções para amostrgaem de solos ocupados por culturas anuais (com plantio convencional e direto), culturas perenes, pastagens/capineiras e de várzeas. (Ver Box)
Vários fatores contribuem para as variações do nível de fertilidade do solo de uma área a ser amostrada. O princípio básico para delimitação de uma área é a uniformidade dentro da unidade (baixada, encosta, alto), considerando vegetação, manejo, cor e textura do solo. Dentro de uma propriedade o produtor deve dividir cada área (no máximo 10 ha cada) que tenha cvaracterísticas semelhantes, e coletar amostras de todas.
A época da amostragem deve ser definida de acordo com as condições climáticas, tipo de cultivo e sistema de manejo do solo. Recomenda-se coletar amostras em número de 10 a 20 pontos, limpando-se em cada local a superfície do terreno, retirando-se folhas, capins, pedras e outras sujeiras.
Definidos os pontos, deve-se cavar um buraco de um palmo de profundidade, fazer a retirada da terra e repetir a operação nos vários locais. Em seguida colocam-se todas as amostras num balde limpo, misturando bem a terra. Depois é só encher um saco plástico limpo, de mais ou menos meio quilo; identificar e encaminhar ao laboratório.


