De personagens alheias ao trabalho no campo, as mulheres deram uma grande virada e hoje têm participação ativa no setor agropecuário. Com o objetivo de aumentar ainda mais a presença delas na atividade agrícola, a cooperativa Integrada possui núcleos femininos na maioria de suas unidades que permitem reunir cooperadas, esposas e filhas de associados para discutir assuntos do meio, realizar cursos de capacitação, participar de passeios, fazer ações sociais, entre outras atividades.
Dentista e esposa de produtor rural na região de Arapongas (Norte), Solange Polvani é um dos muitos exemplos da forte presença da mulher no meio cooperativista. Ela coordena o núcleo feminino da Integrada em seu município. "Antes de entrar no grupo não sabia como funcionava uma cooperativa, já que não entendia nada de agricultura", lembra. Solange afirma que o núcleo mudou a sua visão sobre o que é o agronegócio.
A dentista observa que o núcleo de mulheres aproximou as famílias pois, além de participarem de palestras organizadas pela cooperativa, há trocas de experiências entre elas. "Hoje as mulheres estão integradas ao sistema produtivo", comemora Solange. As 25 integrantes do núcleo de Arapongas se reúnem mensalmente. Para 2016, a dentista revela que os eventos do grupo já estão todos fechados.
Cristiane Orsini, uma das fundadoras do núcleo de mulheres da unidade de Barra do Jacaré, há mais de três anos participa ativamente do cotidiano de uma propriedade. "Conheci o núcleo por meio do jornal da cooperativa". Cristiane conta que sempre teve interesse no cooperativismo, mas nunca havia participado de qualquer atividade relacionada.
O núcleo começou com oito integrantes e hoje é composto por vinte mulheres. "Não conhecíamos como funcionava uma cooperativa", recorda. O marido, segundo ela, foi quem lhe deu as primeiras informações sobre o sistema. Hoje, ela conta que se aproximou da atividade, buscando orientações e conhecimentos sobre os assuntos que permeiam o agronegócio.
Este envolvimento com o sistema, segundo Cristiane, mostrou também a importância de estar mais presente no dia a dia da propriedade da família. "As mulheres aprenderam a ser parceiras na condução das propriedades", comemora. Hoje, ela ajuda na produção de peixes, gado, carneiro, aves e cana-de-açúcar.
Sérgio Munhoz, diretor-secretário da cooperativa Integrada, informa que os núcleos femininos surgiram no ano 2000. Atualmente, estão organizados 18 deles com a participação de 600 mulheres entre cooperadas, esposas e filhas de produtores. A Integrada, segundo ele, apoia esses grupos oferecendo cursos de liderança, artesanato, culinária, palestras motivacionais, entre outros. O curso de liderança é o mais procurado, ressalta, devido ao crescente interesse de muitas mulheres em auxiliar na administração ou até mesmo assumir a propriedade. "Mostramos a elas como realmente funciona uma cooperativa", observa.
No início, Munhoz lembra que a participação das mulheres era muito tímida, mas isso mudou. "Geramos novas lideranças", destaca o diretor-secretário da Integrada.

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