Com as mudanças na economia mundial, trazendo maior competitividade aos setores de produção, as cooperativas também tiveram que se adequar ao novo momento. O setor procurou maior profissionalização não só na gestão das próprias cooperativas, mas também dos agricultores associados. Além da competição de mercado, dentro e fora do país, fatores como os planos econômicos e a falta de sintonia entre preços mínimos, custos de produção e taxas dos financiamentos prejudicaram muito o setor primário.
Para o presidente da Ocepar (Sindicato e Organizações das Cooperativas do Estado do Paraná) João Paulo Koslovski, as cooperativas evoluíram muito nos últimos cinco anos, principalmente as do segmento agropecuário. Foi preciso, na opinião de João Paulo, tomar um rumo mais profissional sem descaracterizar, no entanto, a função da cooperativa, que é poder garantir além da sobrevivência do agricultor no campo, maior valor a sua produção.
Modelos de gestão e integração foram surgindo e atualmente se mostram como uma boa saída para agregar maior valor a produção agropecuária. Na área de carnes, por exemplo, segundo João Paulo, há uma tendência de forte integração entre cooperativas com objetivo de conseguir maior competição do que se tem hoje e não ficar apenas na produção primária. O caso do frango, segundo ele, é um exemplo. Cooperativas também começaram a atuar no fornecimento do frango em pedaços ou embalados semiprontos, a exemplo de grandes indústrias multinacionais. Os agricultores, garante João Paulo, entenderam que era preciso criar produtos diferenciados para competir de igual para igual.
''É o caso da Copacol, por exemplo, que está no mercado com produtos diferenciados,'' cita João Paulo. Esse tipo de produto mais ''sofisticado'' permite agregar maior valor à produção do cooperado e a aglutinação das economias em áreas específicas. No caso de grãos ele cita o exemplo da Coamo, que está exportando farelo de soja CIF, ou seja, entregue direto no País comprador, o que possibilita maior rendimento ao produtor.
O novo processo pelo qual passam as cooperativas, acredita o dirigente, é o de aglutinação, para ofertar qualidade e quantidade, de acordo com a demanda dos mercados internos e externos. ''Hoje o agricultor associado a uma cooperativa tem muito mais vantagens do que aquele que não é.''
No ano passado, de acordo com João Pualo, além de fornecerem assistência técnica, social, venda de insumos, entre outros serviços, as cooperativas do Paraná distribuíram R$ 20 milhões de sobras, dinheiro que foi dividido entre os 98 mil agricultores que estão no sistema. O valor representa, garante João Paulo, R$ 2.050,00 por agricultor ou R$ 170,00 por mês. ''Qual setor da economia pôde fazer isso?''
João Paulo garante que esses benefícios atingem principalmente o pequeno agricultor. Segundo dados da Ocepar 85% do quadro social das cooperativas hoje são de pequenos produtores, com áreas menores do que 50 hectares. ''Sozinhos esses agricultores não teriam poder ou suporte para produzir, comercializar e ainda obter lucratividade. Juntos, em cooperativa, podem conseguir produção e escala e poder de competição.''
Em algumas regiões do Paraná, segundo o dirigente, as cooperativas estão fazendo uma ''reconversão'' das atividades de produção para permitir maior lucratividade aos pequenos produtores. ''Os agricultores estão produzindo hortaliças, suínos, peixes, entre outras atividades na propriedade, diversificando também o poder de lucratividade a ser obtido.'' A cooperativa, garante João Paulo, funciona como um ''anteparo na hora de competir com as grandes empresas.''
As cooperativas do Paraná, segundo João Paulo, estão discutindo e definindo o potencial de integração que é possível fazer entre elas. Para o presidente da Ocepar é preciso haver um processo de integração, definindo parcerias, incorporações, prestações de serviços. ''Estão sendo estudadas as melhores formas de comprar e vender em conjunto. Ainda falta aperfeiçoar o processo e conseguir um poder maior de competição.''
João Paulo relata que dirigentes de cooperativas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul também têm se reunido para troca de experiências e idéias sobre uma possível integração entre os três Estados do Sul do País. ''Será válido se isso trouxer vantagens e agregação maior para o cooperado.''
O processo de integração que já vem acontecendo no setor, na opinião de João Paulo, ainda não está perto do que ele chama de ideal. ''As crises anteriores aos planos econômicos provocaram uma certa retração no setor. O Recoop, programa de financiamento para recuperação e saneamento financeiros das cooperativas, segundo ele, já serviu para revitalizar, mas ainda falta vontade política para concretizar boas integrações que beneficiem o produtor.''

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