A produção de embutidos à base de carne de avestruz, como salames e tender foi a forma que o produtor João Nilceu Ribeiro de Mello, de Apucarana, encontrou para sobreviver na atividade. Ele é o pioneiro na estrutiocultura no Estado e, na atualidade, um dos poucos que insistem em permanecer nela.
A produção tem ainda cortes in natura, além de outros subprodutos como botas, jaquetas, carteiras, cintos, espanadores e objetos de decoração que utilizam o couro, as penas e a casca dos ovos da ave. ''Temos que diminuir o prejuízo'', diz o produtor. A matéria-prima é do plantel próprio que chegou a ter 600 avestruzes e hoje é de cerca de 300 aves.
João Nilceu iniciou a atividade em 1996 motivado pelas informações divulgadas na mídia nacional sobre o potencial de renda da atividade, tanto pela possibilidade de uma demanda interna como para atender uma já existente demanda externa. Ele contava com a experiência adquirida na criação de outros animais. ''Esse foi um dos primeiros equívocos cometidos na atividade. Não dá para comparar, tivemos que aprender de tudo, como criar, tratar, preparar a ração. Não tínhamos nem mesmo veterinários com estas informações'', lista.
A fabricação dos embutidos é feita por ele, auxiliado pela esposa Olinda Crocetta de Mello, utilizando a estrutura de uma empresa do setor, na região de Rolândia. A tecnologia de produção também foi desenvolvida pelo estrutiocultor ''com muitos testes'', como afirma. ''Todos os temperos disponíveis para o mercado são para carnes tradicionais, como a de suínos. Não combinam com a de avestruz que não tem gordura'', diz.
Os produtos têm sabor bastante agradável e diferenciados. O tender, feito de cortes nobres como a coxa, sobre-coxa e o dorso da ave tem tempero suave, mais leve no sal. Já o salame, ''feito para acompanhar uma cervejinha gelada'', como ensina o produtor, utiliza retalhos dos cortes de avestruz, é um pouco mais carregado nos condimentos, mas nem por isso perde pontos no quesito sabor. Muito bons os dois, na opinião de quem experimentou.
João Nilceu desenvolveu ainda técnicas para a produção de mortadela, ''também muito saborosa'', garante. Mas o processo exige um pouco mais de tempo e, como utiliza estrutura terceirizada, não consegue produzir em escala comercial. Ele está pleiteando recursos para montar uma fábrica própria e aposta neste segmento de mercado como forma de incentivar outros produtores a se manterem na atividade.
''Quando a indústria de embutidos estiver pronta vamos precisar de mais aves. Quero parceria com outros criadores, temos condições de oferecer conhecimento técnico de produção'', avisa. João Nilceu tem um filho veterinário que aprendeu o manejo das aves no criatório da família. O produtor tem ainda condições de oferecer os serviços do incubatório que possui, atualmente destivado. ''Alguém vai ter que ficar com esta bandeira'', resume.
Os produtos, de nome comercial Zulu Avestruzes, foram lançados oficialmente no ano passado, durante a Festa da Cerejeira, em Apucarana. João Nilceu possui pontos de venda em Londrina, Maringá, Ponta Grossa e no Litoral - em Antonina e Garuva (SC). O casal comercializa seus produtos também em feiras agropecuárias em todo o estado, além das Feiras de Sabores do Paraná. A atual demanda, segundo ele, é pequena, ''mas dá para sobreviver''. ''A cada feira vemos crescer o número de consumidores que procuram o produto'', garante.

Serviço:
Contatos com o casal de produtores pelos telefones: (43) 3456-1003/ 9916-4107/ 9108-0488 ou e-mail: [email protected].

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