Novos rumos para a carne
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de abril de 2014
Victor Lopes Reportagem Local 
O Brasil possui o maior rebanho comercial e é o principal exportador de carne bovina do mundo. Apesar da representatividade e volume, o País não está no topo da produção mundial, ficando inclusive atrás dos Estados Unidos, que não possui nem a metade dos animais nos pastos e confinamentos nacionais. É nítido, portanto, que a eficiência de toda a cadeia precisa melhorar, do pecuarista até o frigorífico.
Para tentar debater parte desse cenário que envolve inclusive a perda de espaço para outras culturas, como a soja é que está sendo realizado durante a ExpoLondrina, o III Simpósio de Qualidade de Carne Bovina (Simcarne). O evento começou ontem pela manhã e segue hoje durante todo o dia, no Auditório Horácio Coimbra, no Parque Ney Braga. Em pauta, assuntos como estratégias nutricionais visando a qualidade da carne, melhoramento genético, sanidade, maciez, manejo pré-abate, avaliação de carcaça, entre outros.
A professora do Departamento de Zootecnia da UEL e coordenadora do Simcarne, Ana Maria Bridi, explicou que é papel do Grupo de Pesquisa de Análise de Carcaça e Carne (GPAC), vinculado ao departamento, gerar e divulgar conhecimentos científicos, gerados na cidade e em outras localidades. "Essa é uma oportunidade para discutirmos com toda a cadeia produtiva onde estão as falhas de produção e como corrigi-las".
Um ponto importante, segundo a coordenadora, que será debatido hoje durante o simpósio, é como essa carcaça chega ao frigorífico e como avaliá-las, no sentido de ter informações técnicas sobre a carne. A partir daí, é possível fazer o caminho contrário e saber quais pontos podem ser melhorados ainda enquanto o animal está na propriedade, melhorando todo o sistema. "Se o final da cadeia não avaliar o produto, fica complicado saber o que precisa ser feito".
Um exemplo da importância dessa avaliação foi um levantamento feito pelo GPAC em São Paulo. Uma pesquisa com 200 mil carcaças de bovinos em duas plantas frigoríficas exportadoras concluiu que o País abate os animais tardiamente: entre 3 e 3,5 anos.
Apesar de muito trabalho pela frente para colocar o País em novos patamares de produção e qualidade, a coordenadora do simpósio acredita que a pecuária está passando por transformações significativas. "O mercado passa por uma seleção natural. Não é mais possível ser apenas um produtor, é preciso eficiência. Quem não se adaptou saiu do negócio e os que ficaram estão se tornando mais produtivos."



