Os hábitos estão mudando na cultura do trigo por imposição do mercado. Até agora, o produtor vinha valorizando o peso hectolítrico (PH) do grão. Daqui para frente, outros parâmetros terão que ser levados em consideração, para adequar a qualidade e características da farinha à especificidades da indústria.

''O mercado é claro: vai pagar pela qualidade'', diz Miyamoto. Para tanto, a Câmara Setorial do Trigo e outros segmentos da cadeia estão estudando mudanças na classificação.

O produtor tem que ir se familiarizando com termos do mercado internacional, que não quer trigo misturado. As classes de trigo estabelecem critérios pela ordem como o trigo brando, que se destina à produção de biscoito; o duro é para fabricação de pão. Pela ordem, os parâmetros são 1) Falling number (FN), capacidade de fermentação; 2) Força de Glúten (W); 3) Relação entre a tenacidade e a extensibilidade da massa; 4) Cor, 5) Estabilidade, 6) Absorção de água; 7) Teor de glúten. O PH aparece em último lugar na escala de prioridades do mercado internacional, aparentemente um indicador sem muita importância nesse contexto - apesar da sua importância para o produtor.

''Por todas essas mudanças é que precisamos plantar e colher separado'', resume Miyamoto. Até agora o trigo era misturado porque o principal fator valorizado era o PH e não a qualidade.

Mas isto beneficia o trigo brasileiro, segundo Miyamoto. ''As variedades que temos são voltadas para qualidade. Ao contrário da Argentina. Então os nichos do mercado internacional estão abertos para o Brasil''.


Neste contexto, o produtor tem que usar sementes fiscalizadas, de características bem definidas. ''Daí o perigo de usar variedades misturadas, sempre um fator de risco'', alerta Miyamoto.

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