Novos nichos podem ampliar setor
Diversificar o destino da produção ervateira paranense tende a ser compatível com a conquista de novos nichos de mercado, segundo a técnica do Deral/Seab, Neusa Rucker, que concluiu, neste ano, um estudo científico sobre a erva-mate. ''Existe possibilidade de expansão da produção de acordo com a demanda de mercado, plantio de mudas com sementes selecionadas de boas erveiras e depende da opção do produtores'', diz.
Neusa lembra que houve um menor desempenho do setor, entre 2001 e 2004, atrelado aos melhores lucros obtidos com outras culturas, como a soja, estoque de ervais e demanda de mercado. Para o engenheiro agronômo da Emater Jorge Mazuchowski, a mola propulsora da produção de erva-mate está centrada no preço pago ao produtor. Os preços atuais estão acima da média histórica, fato repetido nas últimas três safras.
Uma proposta preliminar para melhoria da oferta da erva-mate seria a antecipação da colheita pelo produtor, observando as condições climáticas da região. Mazuchowski sugere ainda uma parceria entre produtor e indústria, com participação de entidades governamentais, determinando áreas de plantio, além de se estabelecer uma oferta programada, com ajustes de preços pagos ao produtor conforme a safra.
Para o empresário ervateiro Leandro Gheno, as possibilidades de expansão para o mercado da erva-mate como chimarrão são limitados. ''Não somos levados a sério ainda. Não existem políticas agrícolas para o setor, que também precisa ser mais unido e se profissionalizar. Até encontrar uma empresa que desenvolva maquinários de qualidade é difícil, acho que só existe umas duas no Brasil'', critica ele, que também é presidente do Sindicato do Mate do Paraná, entidade que ainda está em fase de organização.
Contudo, Gheno aponta que a versatilidade do mate traz várias opções de expansão do mercado, com produtos como o tererê erva-mate de sabor mais encorpado, feita com água fria , chá líquido saborizado ou natural, chá tostado e chá verde (vendido a granel ou em sachês). ''Ainda podemos pensar uma nova forma conceitual de vender o mate. Hoje, o consumo se alicerça basicamente em um hábito. Acho que podemos mostrar o potencial do produto como um sucedâneo do café, evidenciando sua propriedades nutracêuticas e nutritivas, por exemplo'', opina ele. (F.G.)





