A declaração de área livre de peste suína clássica (psc) deve ser vista com uma boa perspectiva para o mercado nacional, mas não com euforia. A afirmação é do presidente da Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste (Sudcoop), de Medianeira, no Sudoeste do Paraná, Elias Zydek. A Sudcoop exporta carne suína há mais de 10 anos para Hong Kong.
Zydek acredita que a liberação como zona livre de psc não abre de imediato ou aumenta o mercado externo de carne suína. Segundo ele, os principais entraves ainda são os subsídios internacionais de países produtores e as barreiras tarifárias e as altas taxas de juros no Brasil. ‘‘Se a Rússia, por exemplo, quer comprar carne suína do Brasil, os EUA oferecem subsídios de até 30% e fica complicada a negociação’’, revela Zydek.
Novos clientes A Sudcoop exporta uma média anual de 2.500 toneladas. Com novos contratos com a Rússia, Argentina e Uruguai a expectativa é aumentar a venda para 3 mil t este ano. ‘‘No mercado europeu ainda há problemas a resolver. As certificações de livre de aftosa e de psc abrem uma perspectiva, mas não ampliam o comércio de uma hora para outra. Nem Rio Grande do Sul e Santa Catarina, declaradoss áreas livres há mais tempo, estão fechando contratos na Europa. É preciso conquistar a confiança desse mercado.’’
Um dos grandes clientes a conquista também, na opinião de Zydek é o Japão, que compra cerca de 400 mil t/ano. Há também interesse da indústria brasileira em vender para a China que embora tenha o maior rebanho do mundo, também importa carne suína.
Vencer os subsídios Embora o Brasil tenha um dos menores custos de produção e, portanto, competitividade na venda de sua produção, são os subsídios de países que exportam, como os Estados Unidos, que impedem o crescimento nas exportações. Segundo Zydek, países exportadores de suínos mantém subsídios de 20% a 30%. É nessa hora que o Brasil perde a vantagem de ter um custo de produção de 15% a 20% inferior. Outra dificuldade está na carga tributária dos produtos agropecuários no País, superior a de outros países. ‘‘Os tributos da cadeia produtiva, somados as altas taxas de juros nos financiamentos, impedem investimentos para modernização e competitividade no mercado externo.’’
Zydek acredita que o trabalho do Governo agora não deverá ser o de sinalizar com queda nas taxas de juros mas o de comportar-se como um negociador dos produtos brasileiros e aproveitar o potencial que o País tem no mercado internacional para tornar-se um grande exportador de alimentos.
‘‘A produção de suínos cresceu 4,5% em 2000 e tem potencial para crescer mais. O produtor precisa é garantia de que poderá vender bem sua produção’’, avalia.
Conquista de mercados O presidente do Sindicato da Indústria de Carne e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne) Péricles Salazar, também vê com cautela a divulgação de percentuais de aumento de exportação.
Segundo ele, Paraná e outros Estados estão apenas em igualdade sanitária e isto não representa mercado conquistado. O Paraná tem hoje três indústrias habilitadas à exportação de carne suína: a Sadia, em Toledo; a Sudcoop, em Medianeira; e a Batávia em Ponta Grossa.
O Paraná exportou 14 mil toneladas no ano passado, mas daí a dobrar a quantidade ou conquistar novos mercados é outra conversa. Potencial de produção existe, mas é preciso achar compradores’’.
Com calma A exemplo do que aconteceu com os bovinos, depois da liberação de zona livre de aftosa, o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS) Romeu Royer, acredita que a obtenção de zona livre de psc não irá trazer reflexos imediatos ao suinocultor.
Ele aposta na abertura de novos mercados, mas pede cautela, para evitar expansão maior do que a demanda, o que resultaria em prejuízo ao produtor.
Royer prevê que ampliando os mercados, no Paraná, a região oeste deverá ser uma das mais beneficiadas. Lá estão concentrados 1,4 milhão de cabeças distribuídas em 3,5 mil propriedades em 55 municípios, o que equivale a 25% do plantel do Paraná, com 4,2 milhões de cabeças distribuídas em 126 mil propriedades. O setor é responsável por 800 mil empregos no Estado.
O Brasil, segundo estimativa do Ministério da Agricultura, deverá exportar este ano 200 mil toneladas de carne suína. Em 1999, o país exportou 82 mil toneladas e no ano passado foram 125 mil toneladas. O maior comprador de carne suína brasileira é Hong Kong; seguido por países do Mercosul, Argentina e Uruguai, principalmente.

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