Novos equipamentos substituem O velho alambique de cachaça
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sábado, 30 de novembro de 2002
Oswaldo Petrin<br> Reportagem Local 
A boa aceitação da cachaça brasileira no mercado internacional, nos últimos anos, levou a indústria de base a melhorar seus equipamentos destinados à produção artesanal da cachaça, do açúcar mascavo, do melado e da rapadura. Algumas empresas ampliaram seus projetos para derivados de outros produtos como farinha de mandioca e doces de banana.
Na indústria da cana houve muitas mudanças. Da velha engenhoca da fazenda tradicional até hoje há muita diferença, garantem técnicos do ramo. O tacho de fogo contínuo, regulável mas empírico, foi substituído por equipamentos que garantem um produto final homogêneo. Os equipamentos tradicionais proporcionam uma cachaça pura, mas não conseguem um produto padrão, conforme exige o mercado internacional.
''Você está lidando com um produto cujo preço é valorizado no Exterior (há negócios de até R$ 16,00 por garrafa de 700 ml) e, portanto, não pode encharcar o mercado de produtos fora do padrão, sob pena de comprometer o crescimento desse mercado''. Quem explica Bruno Oliveira Rodrigues, técnico da Metalúrgica Barro Branco - Equipamentos para Agroindústria Integrada, do Rio de Janeiro.
A empresa participou na semana passada da Feira ''2a Expofeira da Agroindústria e dos Sabores'', de Cornélio Procópio, que apresentou entre outros produtos da agroindústria regional, a boa cachaça Paradiso, de Ribeirão do Pinhal (já comercializada na Itália, Dinamarca, Canadá e Escócia).
Ao explicar a função de novos equipamentos que, ao longo dos anos foram incorporados ao sistema de produção de cachaça, açúcar mascavo, rapadura e melado, Bruno Rodrigues informa que o novo processo tem preocupação ambiental como a substituição parcial da madeira por bagaço de cana para alimentar a caldeira. O bagaço é queimado na hora, dispensando a secagem e a utilização complementar de lenha.
Na feira foi apresentado o esquema de montagem do engenho, fornalha para caldeira e alambique de fogo direto.
As melhores caninhas - Dento do bom momento do mercado para a cachaça artesanal e da organização do setor, há espaço também para o bairrismo. Os técnicos Manuel Pessoa, da Emater, e Rogério Luiz Alves, da Codapar (Cia. de desenvolvimento Agropecuário do Paraná) garantem que cachaça artesanal produzida hoje no Paraná, ''especialmente as da região de Cornélio Procópio'', são as melhores do Brasil e, portanto, não ficam a dever nada para as caninhas famosas de Minas Gerais.
A Paradiso está com 80% de sua produção de 2002 contratada por importadores da Europa. Os 20% restantes serão comercializados dentro do Programa Fábrica do Agricultor, do governo do Estado. Preço: 2,50 dólares posto Porto Paranaguá. Consumidor europeu paga cerca de 20 dólares (garrafa de 700 mls).


