Novos conceitos precisam ser incorporados
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sexta-feira, 08 de março de 2019
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
A relação entre o controle biológico e químico é bem sensível. Isso quer dizer que qualquer aplicação exagerada ou calendarizada de um inseticida, digamos, mais forte, pode gerar a morte de insetos benéficos e atrapalhar todo um ecossistema natural. Pensando no vídeo viral da "tesourinha" (Doru luteipes) que rodou no aplicativo Whatsapp eliminando a lagarta-do-cartucho, há estudos científicos que apontam que se o inseto estivesse presente em 70% das plantas da lavoura do milho, o produtor não precisaria se preocupar com a praga. "Ela é muito abundante em áreas que não têm o controle químico", explica o entomologista da Embrapa Sorgo e Milho, Ivênio Rubens de Oliveira.
A grande questão desse controle biológico, segundo o pesquisador, é que ele precisa acontecer, de forma geral, no momento que a praga é pequena ou ainda antes do ovo eclodir. "Geralmente, quando produtor vê a lagarta na lavoura, já está grande. No caso da lagarta-do-cartucho, a tesourinha consegue agir nos primeiros tamanhos, até atingir um centímetro de comprimento. Se passar disso, perde a eficiência."
O produtor precisa, então, criar uma sinergia entre o controle químico e biológico, optando por aqueles defensivos de tecnologia mais avançada e seletividade eficiente. "O milho possui mais de 150 produtos disponíveis, alguns deles são mais seletivos a inimigos naturais. É preciso lançar mão desse tipo de inseticida."
Além disso, o "imediatismo" no controle de pragas e doenças também precisa mudar, já que a forma de ação dos produtos é outra. "A maior parte do pessoal que lida na fazenda gostaria de aplicar o produto e ver o resultado na hora. Em produtos mais seletivos, o tempo de atuação é maior, percebe-se que (o volume) da praga não ganha proporções, tudo é medido ao longo de um tempo maior."
Por fim, Oliveira ainda cita dois gargalos do controle biológico. O primeiro deles são as tecnologias de aplicação, que precisam continuar avançando com velocidade, caso dos drones. "O segundo é o produtor constituir áreas de refúgio para os inimigos naturais, usando por exemplo o girassol mexicano ou crotalaria. Muitos acabam não fazendo porque o refúgio interfere na disposição da área (de plantio). (V.L.)


