Arquivo FolhaCuidadosManejo dos animais deverá seguir rígido controle, com isolamento dos infectados

As pesquisadoras Maristela Pituco, chefe da Seção de Febre Aftosa do Instituto Biológico, e Claudia Del Fava, da Seção de Higiene Zootécnica e análises do Instituto de Zootecnia, ambas de São Paulo, demonstraram em experimento outra alternativa para eliminar a IBR/IPV (Rinotraqueíte Infecciosa Bovina), sem ser preciso vacinar o rebanho.
A solução seria erradicar a doença através do manejo sanitário, isolando os animais positivos para a doença e os descartando aos poucos, sem haver necessidade de vacinação. O trabalho das pesquisadoras aconteceu numa fazenda experimental do Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa (SP), e durou 18 meses. Mesmo sendo uma propriedade diferenciada, de acordo com Maristela Pituco, os resultados podem ser extrapolados para outras propriedades, desde que o índice de contaminação do rebanho seja baixo, entre 15% e 20%, e exista tecnificação.
Custos compensam ‘‘O manejo vai bem naquelas propriedades com rígido controle sanitário’’, afirma. O mesmo experimento desenvolvido em Nova Odessa está implantado há um ano em 10 propriedades particulares do Interior de São Paulo, garante a pesquisadora. Com índices de até 30%, espera-se descartar os animais infectados num período de dois anos. No caso do Estado de São Paulo, de acordo com a veterinária, os custos com este tipo de manejo compensam quando o índice de animais positivos é baixo.
‘‘Existe pouca diferença entre o custo do exame laboratorial para detectar animais positivos e o preço da vacina. Acima de 50% de animais infectados o criador terá que vacinar para amenizar os efeitos da doença.’’
Como foi feitoOs resultados do experimento foram apresentados em outubro do ano passado, durante o Congresso Panamericano de Medicina Veterinária (Panvet), em Campo Grande (MS). Cento e cinquenta e quatro animais do rebanho estudado (bezerros, novilhas e vacas) foram submetidos a coletas trimestrais de sangue. Observou-se que 24 cabeças eram sorologicamente positivas ao vírus, sendo cinco bezerros com menos de seis meses de idade. Durante a pesquisa não houve trânsito de animais na propriedade.
Como o índice de contaminação de vacas era baixo, optou-se por erradicar o problema com isolamento das gestantes em um pasto até que parissem. Depois descartou-se as vacas vazias. Segundo Maristela, não foram vacinados todos os animais, porque o objetivo era obter um rebanho livre de IBR/IPV o mais rápido possível. ‘‘Um animal infectado, mesmo vacinado, pode reativar o vírus e disseminá-lo por todo o rebanho, sendo portador latente.’’ Num prazo de 12 meses todas as vacas portadoras do vírus foram descartadas.
Os filhos de mães infectadas apresentaram anticorpos contra o vírus mas, ao final de seis meses de vida não apresentavam positividade ao exame sorológico, indicando que estavam livres da infecção. A mudança era pela proteção do colostro. As novilhas somente se infectavam ao entrarem em idade reprodutiva e depois em lactação, convivendo com vacas adultas infectadas. De acordo com a veterinária, com este tipo de manejo, o ciclo da doença pode ser rompido ao se separarem vacas positivas do resto do rebanho.
A veterinária Maristela Pituco aconselha ao criador que não use a vacinação antes de uma orientação técnica. ‘‘Ele pode estar vacinando o rebanho sem que esta seja a melhor forma de combater a doença. Ou ainda, o que é mais grave, ao vacinar todos os animais, tanto soropositivos quanto negativos, com as vacinas que estão atualmente sendo comercializadas no Brasil (vírus completo), não se tem como diferenciar animal vacinado de um infectado, pois ambos serão positivos, dificultando a erradicação da IBR da propriedade,’’
Formas de controle Segundo a veterinária, existem três formas de combate ao vírus. A primeira é sem o uso da vacina, desde que o número de animais infectados seja pequeno. É o caso de rebanhos fechados, em fazendas que controlam o trânsito de animais e mantêm em quarentena os animais mais novos no plantel e também aqueles que retornam de exposições, feiras e leilões.
A segunda forma é erradicar, com o uso de vacinas convencionais aplicadas em animais infectados, associado ao monitoramento sorológico dos aaaaanimais negativos. Este tipo de esquema de vacinação só se aplica enquanto não estiverem disponíveis vacinas deletadas, que permitem a diferenciação de animal infectado de vacinado. É recomendado para rebanhos com incidência de 20% a 50% e para criadores que queiram eliminar o vírus num prazo mais longo, com eliminação gradual dos infectados.
A terceira alternativa é a vacinação geral de todo o rebanho, em fazendas onde não existe rígido programa sanitário, com trânsito frequente de animais, cujo único objetivo é evitar sintomas clínicos e com isso reduzir as perdas de produção.
A veterinária lamenta que não exista ainda no mercado brasileiro vacinas que possuem ‘‘marcadores genéticos’’ para diferenciar animal infectado do vacinado. Ela diz que a grande vantagem dessas vacinas é que os criadores podem erradicar a doença com descarte dos animais infectados. Os marcadores são certos sinais que os laboratórios fabricantes de vacinas usam para diferenciar, o vírus utilizado na vacina, daquele que está circulando no campo. Através de exame laboratorial pode-se distinguir o animal naturalmente contaminado pela IBR daquele que foi vacinado.

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