Novo perfil do pequeno produtor
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Dalva Regina Barboza 
Frutas e hortaliças desidratadas, como caqui seco, gengibre em pó, conservas, laticínios e outros produtos processados por produtores rurais estarão à mostra durante a 39ª Exposição Agrícola de Londrina, a ser realizada, de 3 a 6 de junho, pela Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel). A organização espera um público de 40 mil pessoas. É um público quatro vezes maior em relação ao do ano passado, em função das novidades que teremos na feira, explica o presidente da Acel, Kentaro Takahara.
Celso PachecoQualidade de vidaA família Kariya, no jardim da propriedade: o agricultor precisa de confortoA Exposição Agrícola, tradicional evento da comunidade nipo-brasileira, abre, a cada ano, mais espaço à agroindústria caseira. Durante o evento será feita a divulgação de endereços e contatos no Japão, para exportação de produtos agroindustriais, dando oportunidade de maior rendimento aos agricultores interessados em exportar, destaca Hajime Kato, coordenador agrícola da feira.
Apesar da exposição começar no dia 3 de junho, os produtos agrícolas estarão à disposição dos visitantes apenas no sábado e no domingo (dias 5 e 6 de junho). É que alguns produtos são perecíveis e não podem ficar expostos muitos dias, destaca o engenheiro-agrônomo Hajime Kato. Serão expostos de 2500 a 3 mil amostras de cerca de 300 espécies agrícolas diferentes - cereais e grãos como café, milho, soja, arroz e feijão, frutas e hortaliças cultivadas nesta época do ano. Participarão agricultores de Londrina, Tamarana, Cambé, Ibiporã e Rolândia.
Os produtos serão classificados pela comissão técnica que qualifica as amostras e indica a premiação dos produtores. Hajime Kato destaca que os produtos expostos serão vendidos aos visitantes por cerca de 50% do valor de mercado.
O novo agricultorPara Hajime Kato, o perfil do agricultor da região evoluiu bastante nos últimos 30 anos. O produtor diversifica mais as lavouras e usa muito mais tecnologia. Desta forma, tem condições para produzir mais e melhor. Kato fala com conhecimento de causa, pois integrou a comissão técnica das exposições agrícolas realizadas em Londrina e em toda a região Norte do Paraná, como agrônomo da Secretaria Agricultura do Estado.
Yassuyuki e Leonardo NishimuraO agricultor japonês Yassuiuki Nishimura, dono de duas propriedades no município de Cambé, é um dos expositores que participa da mostra há cerca de 20 anos. Ele cultiva hortaliças desde que chegou à região e se enquadra no perfil descrito pelo agrônomo. Nishimura utiliza alta tecnologia, emprega técnicas modernas de preparo do solo, faz o manejo e os tratos culturais adequados. Enfim, planeja a exploração de suas propriedades, de forma a racionalizar todos os recursos.
Nishimura tem a ajuda dos filhos agrônomos, Leonardo e Johnny, que cuidam da produção e da comercialização. Eles produzem de 50 a 60 mil caixas de hortaliças por ano. Nishimura e seus filhos exporão este ano cenoura, repolho, tomate, pimentão, cebola e soja. Consciente das dificuldades enfrentadas pelo setor, ele critica a falta de uma política governamental para a agricultura. Hoje tem tecnologia, tem condições de produzir bem. Mas produto não tem preço para o agricultor, lamenta-se Nishimura.
Qualidade de vidaLocalizado na Aviação Velha, o sítio de cinco alqueires e meio, de Haruo Kariya, é exemplo de diversificação, racionalidade e planejamento. Tanto que da pequena propriedade, Haruo e seus quatro filhos, ajudados por dez empregados, garantem o sustento de cerca de 40 pessoas.
Orgulhoso dos resultados obtidos em 37 anos de muito trabalho, Kariya aponta sorridente para a confortável casa onde reside com a família. A casa espaçosa, cercada por um belo jardim, foi construída há dez anos. Keiko, a esposa de Kariya, explica que o casal nunca exigiu que os filhos estudassem, visando continuar a atividade do pai. Mesmo assim, Wilson, o mais velho, formado em Psicologia, cursou Administração Rural e hoje cuida do setor na propriedade. Jorge é engenheiro-agrônomo e cuida da produção de hortaliças em estufas e caqui. Não adianta só ganhar dinheiro e comprar mais terra. O agricultor precisa de conforto, casa boa, qualidade de vida. Se não, os filhos não vão continuar no sítio, enfatiza Kariya.
O que mais impressiona na propriedade é a diversificação e a integração de atividades. A granja, dirigida pelo médico-veterinário Daniel Kariya, tem 180 matrizes e cerca de 1800 suínos para abate. Da granja sai o esterco usado na lavoura. A família Kariya desenvolve também atividades industriais. Num dos barracões do sítio funciona a fábrica de estruturas metálicas, conduzida por Roberto (que é técnico agrícola e fez cursos técnicos na área industrial), onde são fabricadas estufas e outras estruturas para venda no comércio e uso na propriedade.
Roberto desenvolveu, com a ajuda do irmão Wilson, o Coverpack. Trata-se um modelo de toldo para cobertura de qualquer tipo de caminhão, com sistema de abertura e fechamento através de molas e alavanca. Os Kariya produzem ainda húmus, um composto à base de ácido húmico, extraído da turfa. Esse material é empregado nas lavouras e também é comercializado.
Resumindo o pensamento da família, Jorge conta que a atividade agrícola neste ano não foi nada compensadora: Nem chegamos a empatar, pois os preços não cobriram os custos de produção. Porém todos são conscientes de que o sistema adotado é o mais eficaz. Hoje está difícil se manter, seja qual for o setor. Mas tem que fazer bem feito, arremata o agrônomo.


