Novo modelo tecnológico para soja
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sexta-feira, 25 de agosto de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
Para ter sucesso na primeira safra do novo milênio o produtor precisa fazer um bom planejamento e não se deixar levar pelo emocional, afetado pelas duas últimas safras difíceis. Vai precisar fazer um diagnóstico completo da situação de sua propriedade, aplicar toda a tecnologia disponível, fazer adubação diversificada, usar variedades adequadas, entre outras práticas. Esta é a análise de dois agrônomos, o pesquisador da Embrapa-Soja, Lineu Domit, da Área de Transferência de Tecnologia e Fernando Adegas, da Emater.
Não existem muitas novidades tecnológicas para a próxima safra. O que existe é a necessidade do produtor utilizar racionalmente o que já está disponível. O produtor não poderá mais continuar conduzindo suas lavouras no antigo modelo que buscava uma rentabilidade na produção de escala, destaca Lineu Domit.
Os dois profissionais têm trabalhado nos últimos anos com programas voltados para aumentar a rentabilidade das propriedades de soja no Paraná, viabilizando pequenas áreas. Lineu coordena o trabalho chamado Treino e Vista, que já está na quinta safra e Adegas coordena o Projeto Grãos, já realizado em duas safras, em parceira com Embrapa e outras instituições. Os resultados são bastante satisfatórios, mostrando que a soja pode ser rentável, mesmo em pequenas áreas. Os projetos trabalham com soja, milho e trigo.
Ganhar dinheiroBasicamente são duas as alternativas para ganhar dinheiro com agricultura: reduzir custos e agregar valores. No Projeto Grãos, envolvendo 635 produtores, o aumento médio no primeiro ano foi de 8%, e em algumas propriedades este índice chegou a 40%. Nós fazemos junto com o produtor um planejamento que parte da situação real e atual da propriedade para uma meta que ele deseja cumprir. Daí, vamos orientando e acompanhando este trabalho, interferindo nos pontos críticos dentro da possibilidade do produtor, explica Adegas. Aproximadamente 30 técnicos de campo estão envolvidos com esse trabalho.
O planejamento da assistência técnica precisa ser feito caso a caso, na opinião dos dois agrônomos. Este vai ser o diferencial das próximas safras. Não podemos mais ter uma assistência ou recomendação geral, como uma receita pronta, comenta Lineu. As condições de clima e solo do Paraná são propícias à soja, mas exigem que a produção seja diferenciada, para remunerar o produtor, como a soja orgânica, por exemplo, ou o cultivo de variedades mais adaptadas ao consumo humano, com melhor teor de proteína.
GrãosNo Projeto Grãos os resultados até agora são os seguintes: a produtividade média dos produtores se elevou para 3.350 kg/ha, enquanto a média atual do Estado é 2.508 kg/ha; a rentabilidade atingiu 1.825 kg/ha ou seja R$480,00/ha enquanto a remuneração atual é de R$120,00.
No projeto Treino e Visita, já foram atendidos 1.734 produtores, por 116 técnicos de campo. Só na última safra participaram 432 produtores, abrangendo uma área de 17.316 hectares.
O objetivo dos dois programas é ser um modelo para as propriedades paranaenses. Queremos mostrar que é possível produzir com lucro, mesmo em pequenas áreas. O desafio daqui para frente é como reproduzir e multiplar este modelo para os demais produtores do Estado, comenta Lineu.
Existem no Paraná atualmente 88 mil produtores de soja e boa parte desses produtores vão precisar de uma assistência técnica, um acompanhamento diferenciado. Adegas acredita que esta demanda vai abrir novas oportunidades de trabalho para os agrônomos que estiveram engajados neste tipo de sistema de produção.
Pesquisadores e empresários se reunirão na próxima semana, de 28 a 30 deste mês, em Cuiabá, para discutir e elaborar as novas recomendações de variedades para a próxima safra.


