Entre a produção convencional e a orgânica, o cafeicultor brasileiro poderá contar a partir de agora com uma terceira opção - a produção integrada de café (PIC). O conceito consiste na adoção das práticas vantajosas dos dois modelos, mas cria uma nova forma de cultivo que visa a produção para exportação. ''Para o comprador europeu ou asiático não basta mais oferecermos apenas um café de qualidade. Precisamos garantir a renda do produtor e produzirmos dentro de padrões ambientalmente corretos e socialmente responsáveis, que serão monitorados pelos importadores'', explica o consultor da Embrapa Café e do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento de Café, Bernardo van Raij.
Ele participou esta semana do IV Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, que reuniu no Centro de Eventos de Londrina cerca de 800 produtores e profissionais da área. Van Raij, que é pesquisador aposentado do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), principal órgão de pesquisa do grão no País, juntamente com a Universidade Federal de Viçosa (MG), disse que esse café produzido de forma diferente terá um selo que o identificará para o exportador. ''Isso é necessário para que esse café não seja misturado aos demais, afinal ele terá um maior valor agregado, pois também tem um custo de produção um pouco mais alto devido aos cuidados'', apontou.
Ele diz que a produção integrada é a tendência para a maioria dos cafeicultores brasileiros. ''Muitos já produzem cuidando da natureza e respeitando os direitos dos seus trabalhadores, mas fazem isso por conta própria. Agora os importadores estão querendo a garantia disso e exigindo que esse café ofereça condições de rastreabilidade'', afirmou Bernardo van Raij. Ele aposta que o novo modelo será a saída para o setor, porque os orgânicos, que são bem vistos no exterior, ainda têm um grande gargalo, que é a falta de produção em escala. ''Com a produção integrada o mercado estará garantido, pois ela permite manter os volumes de produção, mas com vantagens do orgânico, como a garantia de procedência e a adoção de conceitos agroecológicos'', acrescenta o pesquisador.
Para viabilizar a adoção do novo sistema, a Embrapa e o Consórcio de Pesquisa de Café criarão dois manuais de boas práticas - um para produtores e outro para técnicos - que deverão ficar prontos até o final do ano. Entre as orientações, algumas delas serão: o produtor não pode poluir seus mananciais com pesticidas, precisa recompor mata ciliar para evitar erosão e assoreamento dos rios, fazer conservação do solo, utilizar tecnologias aprovadas pela pesquisa, não empregar mão-de-obra infantil ou escrava e respeitar a legislação trabalhista.
Os produtores integrarão associações ou cooperativas que farão um monitoramento das práticas. Depois haverá uma auditagem para a confirmação e só depois é que virá a certificação feita por um órgão nacional. Van Raij estima que após implantado o sistema, o selo de café integrado estará disponível dentro de quatro anos.

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