As chuvas recentes só confirmam o que a meteorologia antecipou. O longo período de estiagem registrado nos últimos seis anos está chegando ao fim nas regiões Sul e Sudeste do País.
''A perspectiva para este ano é de a situação se regularizar, mas para restabelecer a situação do solo, realmente, é preciso ainda muita chuva'', afirma o agrometerologista do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Paulo Henrique Caramori.
Na última segunda-feira, em Londrina, a chuva intensa, principalmente durante toda a tarde, registrou 34 milímetros (mm). ''Esperamos que ainda chova mais. O ideal para o mês de dezembro é que a incidência seja de pelo menos 14 dias ou 206,6 mm'', destaca a meteorologiasta do Instituto Tecnológico Simepar, Angela Beatriz Costa. Segundo ela, ainda é cedo para afirmar que a aproximação do El NiÀo, fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento das águas de superfície do Oceano Pacífico Tropical, que afeta o clima regional e global, será de intensidade moderada ou forte, o que representaria mais chuvas na região.
Angela Beatriz destaca que as chuvas que estão ocorrendo são consideradas normais para a estação, podendo ocorrer pancadas isoladas, com rajadas de ventos, provocadas pelo ingresso de frentes frias, associadas à alta umidade e temperatura elevada.
A média histórica do mês de dezembro na região de Londrina foi registada em 1989, quando choveu 117 mm.
A meterologista lembra que desde 2004, o solo sofre com a deficiência de água. Somente dois meses em 2006, as chuvas estiveram acima da média. Em fevereiro, com média de 183 mm, este ano fechou com 284 mm; e setembro, que tem índice médio de 124 milímetros, o registro foi de 159 mm. Para se ter uma idéia do que esses percentuais representam, um milímetro de chuva significa um litro de água por metro quadrado.
Caramori explica que nos últimos anos, o longo período de estiagem foi em consequência de situações de bloqueios atmosféricos, com alta pressão no Pacífico, que desviava as frentes frias para o litoral.
Ele ressalta que as ocorrências dos últimos dias no Norte do Paraná, aliviaram a falta de umidade do solo, mas em parte do Sudoeste e Oeste a situação ainda é crítica. O solo nesses municípios está com apenas 50% de sua capacidade de água. ''Com 75% de umidade de sua capacidade, o solo já fica comprometido, prejudicando culturas como hortaliças, feijão e arroz'' explica.
O pesquisador de produção de sementes do Iapar, Alberto Sérgio do Rego Barros, afirma que as chuvas chegaram em boa hora e que não haverá prejuízos, principalmente para o milho, que não é uma cultura exigente em relação à água.
O milho no nosso Estado é plantado em diversas épocas. O que foi plantado cedo está na fase de florescimento e as chuvas são benéficas. As plantações mais tardias entraram na etapa de desenvolvimento vegetativo, sendo também favorecidas pelas ocorrências'', completa Barros, ressaltando que, apesar das chuvas serem irregulares, é cedo para pensar em prejuízos.

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