Novembro começa com muita instabilidade exigindo mais atenção de quem ainda não concluiu as vendas. Deve permanecer assim, com muita oscilação. Para quem estava se acostumando com um mercado em alta, o cenário agora é diferente daquele de outubro.
A semana começou com queda nos contratos futuros da Bolsa de Chicago. Na terça-feira, desabou e, na quarta, depois de abrir em baixa, reagiu e fechou em alta. Ao contrário do que vinha ocorrendo, o mercado passou uma semana de instabilidade. Num único pregão, as cotações experimentaram queda de 8% e fecharam em alta de 11% em relação ao dia anterior.
Na quinta-feira a notícia (que agitou o mercado por antecipação): as exportações norte-americanas atingiram 1,8 milhão de toneladas, no período de 23 a 30/10. Só a China comprou 1,2 milhão de t. ''Nunca se exportou tanto em tão pouco tempo'', comentou o analista de mercado Seneri Paludo, da Agência Rural.
Os contratos operaram com bastante volatilidade ao longo de todo o dia, refletindo um quadro de indefinição uma semana antes do relatório de oferta e demanda mundial a ser reportado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) no próximo dia 12 - informou a FNP Agroinformativos. Esta semana termina a colheita norte-americana.
Ainda na quarta-feira, a empresa norte-americana Sparks Companies mudou os rumos do mercado em pleno expediente ao divulgar sua estimativa referente à safra 2003-04. Os novos números apontam uma estimativa de
67,4 milhões de toneladas, ante a estimativa do Usda de 67,2 milhões de toneladas.
Mas não foi só isto. Análise da FNP Agroinformativos apontou também o bom desempenho do mercado de óleo que fornece um maior suporte aos contratos futuros de soja na Bolsa.
Por fim, o contrato com vencimento imediato, novembro, encerrou o pregão cotado a US$ 7,6525 por bushel ou US$ 16,87 por saca. Foi um preço bom, mesmo para quem chegou a ver o bushel ultrapassar a barreira dos US$ 8.
Só que este preço não refletiu no mercado interno. Os preços na quarta e quinta-feira expressavam as baixas de segunda e terça-feiras. Houve pouca oferta e disposição de compras ainda menor. No Porto de Paranaguá não houve nem oferta nem procura e as agências não cotaram a soja. Um preço aceitável seriam os R$ 48,80 praticados no Porto de Rio Grande (RS).
O câmbio que já vinha estável, mostrou-se ainda mais comportado por conta do bom acordo com o FMI. Portanto, a variável cambial continuou contribuindo para a estabilidade da soja. Os preços acabaram sendo aqueles conhecidos já na Terça-feira. No Norte, Noroeste e região central, entre R$ 47,50 e R$ 48,50 a saca. No Oeste, acima de R$ 48,00. Mas, em Ponta Grossa, os preços ficaram entre R$ 50,00 e R$ 50,50, segundo a CMA e a Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina.
Daqui para frente é bom ficar de olho no desempenho das grandes safras de Brasil (estimada em 57,6 milhões de toneladas) e Argentina (37 milhões de t). A promessa de boa colheita pode contrapor as altas causadas pela euforia das compras da China. Mas a safra pode enfrentar problema de clima - já manifestado - e um ataque quase da ferrugem asiática, principalmente em Mato Grosso, como no ano passado.
A revista alemã Oil World, especializada em mercado de grãos oleaginosos, estima que o consumo mundial de soja supere o volume de produção em 2004. Segundo a publicação - citada esta semana pela análise da Corretora Granoeste -, haverá uma oferta total de 199,3 milhões (quase 200 milhões) de toneladas para um consumo que pode ultrapassar os 200 milhões de t. Na temporada 2002-03, a produção chegou a 195,5 milhões de t para um consumo de 191,4 milhões de t.

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