Curitiba - Para fugir das restrições e dependência econômica de um único período de colheita, por ano, e ainda agregar valor à produção, o município de Cerro Azul já trabalha para diversificar a citricultura local. Dentre as estratégias traçadas, está a criação de um viveiro de mudas de espécies cítricas, pesquisas de campo para levantar a adaptação de cultivares livres de doenças, avaliação qualitativa e aceitação de novas variedades pelo produtor.
  O município ainda aguarda que o projeto para compra de uma despolpadeira – produção de sucos e aproveitamento da safra que não tem aceitação como fruta de mesa – saia do papel, com recursos do governo federal e apoio do Estado. Segundo o secretário Agenor de Moura e Costa, o projeto foi orçado em R$ 250 mil, há quatro anos. Já estão em andamento a estufa para produção de mudas, em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Cerro Azul, e o trabalho de campo desenvolvido em oito unidades demonstrativas e de validação de citros.
  Em cada unidade, foram plantadas quatro variedades de laranja (iapar 73, pêra, valência e folha murcha), uma de tangerina (Montenegrina) e uma de lima ácida (limão tahiti). ‘‘No total 165 plantas compõem essas unidades sob diversos porta-enxertos. Utilizamos tangerina sunki, Citrumelo swingle, limão cravo, Poncirus trifoliata, tangerina cleópatra e limão rugoso. O propósito é avaliar como a planta se comporta no pomar e a aceitação do produtor, difundindo novas tecnologias a partir dessas unidades, que nos servem como termômetros’’, explicou o engenheiro agronômo do município, Ivan Evangelista.
  ‘‘Hoje, é aplicado pouca tecnologia no manejo da produção local, que é muito rústica. Nessas unidades, experimentamos formas de cultivo, tratamento fitossanitário e fertilização’’, disse. ‘‘A preocupação é grande com os riscos de contaminação da lavoura. Muitas doenças estão entrando no Estado, como greening, cancro cítrico e Clorose variegada dos Citros, que ainda não existem aqui. Precisamos trabalhar para desenvolver espécies que não são suscetíveis a doenças’’, completou Evangelista.
  Com os resultados das pesquisas, o município vai decidir quais cultivares de mudas serão desenvolvidas no viveiro pensando em diversificar a produção ao longo do ano. Há a intenção de cumprir um cronograma de produção de 15 mil mudas, por ano, para serem repassadas aos citricultores. É provável que se comece a renovação dos pomares com mudas da própria poncã, para aumentar o vigor da planta, além do limão tahiti.
  O Iapar planeja concluir um trabalho aproveitando estudos preliminares sobre diversos tratamentos fitossanitários com citros feito, há 15 anos, na região. Segundo o pesquisador Rui Pereira Leite, a pesquisa é realizada em parceria com a Universidade Federal do Paraná e pretende levantar quais fatores favorecem a disseminação de doenças no Vale da Ribeira, melhoria no manejo dos pomares, caracteristícas de clima e as variedades que melhor se adaptam a região. ‘‘A cultura de citros é a atividade econômica mais importante do Vale, mas faltam estudos específicos sobre a região produtora mais antiga do Paraná. Dependemos da liberação de recursos do Estado agora’’, diz Leite. (F.G.)

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