Novas variedades, mais opções
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Cristina Côrtes 
O mercado do agribusiness é cada dia mais exigente em novidades e em respostas para soluções de problemas. Novas variedades mais produtivas, resistentes a pragas, doenças e com material genético adaptado à condições adversas de clima têm uma contribuição importante nos resultados das safras agrícolas. Na semana passada foi anunciada a estimativa da colheita desta safra de verão, que deve ficar em torno de 84 milhões de toneladas, e segundo José Roberto Peres, diretor-técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em geral não se tem idéia de que por trás destes números estão as muitas variedades lançadas por órgãos de pesquisa.
A Embrapa tem lançado nos últimos anos uma média entre 70 e l00 novas cultivares anualmente, para atender as demandas do mercado. Peres ressalta que a pesquisa tem sempre que estar se antecipando aos problemas. Estes lançamentos permitem que inovemos sempre nosso papel tecnológico, reforça.
RetornoO produto final do melhoramento genético vegetal, que é a semente melhorada, traz consigo uma tecnologia que apresenta características de baixo custo para o produtor, fácil difusão e uma melhoria na produção e produtividade agrícola. O pesquisador da Embrapa, Fábio Afonso de Almeida, autor do livro O Melhoramento Vegetal e a Produção de Sementes na Embrapa - O Desafio do Futuro, lançado recentemente, faz uma avaliação dos resultados de pesquisa da empresa.
Num capítulo ele analisa a influência da pesquisa em melhoramento genético vegetal na área e na produção das lavouras dos principais produtos na região Sul do País, considerando o arroz, a soja e o milho. Verificou-se que o rendimento das cultivares da Embrapa foi superior ao rendimento registrado na região, em média 26% maior para o arroz, 90% para a soja e 32% para o trigo. Fábio destaca que neste estudo foi considerada apenas a área plantada com sementes melhoradas. Essa área, tradicionalmente, é explorada por produtores que utilizam insumos modernos e maquinaria agrícola.
No estudo realizado, o autor analisou dados do período de 89 a 92, nos Estados do Sul, e foi estimado um valor de 411 milhões de dólares recolhidos nestes quatro anos com o faturamento bruto da produção de grãos. Segundo Fábio, este valor dá a dimensão, para os governos estaduais e federal, da importância econômica das cultivares em termos de recolhimento de impostos. O recolhimento anual médio de 102,7 milhões de dólares cobre em quase três vezes as despesas do Tesouro Nacional com a pesquisa feita pela Embrapa na região Sul, na média anual de 38,0 milhões de dólares nestes quatro anos, comenta.
FuturoEste ano, devem ser lançadas pela Embrapa mais seis novas variedades de milho e sorgo. Outra cultivar, que deverá chegar na próxima safra, sendo a primeira espécie produzida sob a Lei de Proteção de Cultivares é a cultivar de trigo BRS 49, que segundo previsão da Embrapa deverá ocupar um terço da área de trigo do Rio Grande do Sul, nos próximos dois anos. A produtividade dessa variedade é de 4 a 5 toneladas por hectare, superior a média gaúcha que é de 1,6 tonelada por hectare.
Além de melhorar as condições das cultivares em relação aos problemas fitossanitários, José Roberto Peres destaca que a pesquisa tem que estar à frente, para enfrentar problemas. Como exemplo, ele cita o caso do nematóide-do-cisto, doença que foi controlada em pouco tempo porque os pesquisadores se anteciparam e desenvolveram variedades tolerantes. Só o nematóide chegou a causar prejuízos de aproximadamente 300 milhões de dólares, e poderiam ter sido muito maiores, analisa.
Atualmente, a semente híbrida mais usada é a de milho. Estima-se que aproximadamente 60% da área brasileira plantada com milho movimentem um agronegócio superior a 270 mil. Pesquisas indicam que na última safra 47% do plantio foram de híbrido duplo e 35% do triplo.


