Novas recomendações para a safra
Milton DoriaOrganizaçãoOs pesquisadores Sérgio Dotto, da Embrapa, e Carlos Riede, do Iapar, são os organizadores da reuniãoNovas variedades de trigo e o aperfeiçoamento da regionalização das épocas de semeadura serão divulgadas na próxima semana, quando mais de 100 pesquisadores e técnicos de institutos de pesquisa públicos e privados participarão da 14ª Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo, que será realizada de 9 a 12 no Centro de Treinamento do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina. Na reunião serão avaliados também os resultados da safra anterior, novos defensivos, e serão discutidos o manejo mais adequado, densidade de semeadura e outras orientações para o produtor.
Para o pesquisador do Iapar, Carlos Riede, presidente da Comissão, o pouco uso de tecnologia no cultivo do trigo é um dos principais problemas da cultura no Estado.Muitos produtores deixam de investir em adubo para gastar apenas com inseticida, mas o que ajuda mesmo o produtor a alcançar uma boa produtividade é um conjunto de práticas e manejo adequado, comenta.
ArquivoO Paraná plantou na safra passada aproximadamente 900 mil hectares, que devem ser mantidos este anoSeguro mais baratoO Iapar vai apresentar nesta reunião o aperfeiçoamento da regionalização da época de semeadura já lançado, ampliando o número de regiões de 6 para 10, com o objetivo de definir mais detalhadamente as épocas ideais.
O pesquisador lembra que, Como já aconteceu em anos anteriores, os bancos financiarão o plantio com seguro mais baixo se o produtor semear o trigo nas épocas recomendadas. Sérgio Dotto, pesquisador da Embrapa Soja e vice-presidente da comissão explica que a regionalização do plantio é uma nova tecnologia que está dando ótimos resultados para os produtores.
Para citar um exemplo, o pesquisador comentou os resultados na região Oeste. De 88 a 93, a época principal de plantio naquela região era abril. A partir de 94, depois de levantamentos de dados e pesquisa, a recomendação passou a ser feita para plantio em maio. Desde então, os produtores não perdem mais com geada e a média de produtividade passou de 1.100 kg/ha para 1.700 kg/ha, destaca Dotto.
A nova regionalização foi feita pela área de climatologia do Iapar, com base nos índices de chuvas, temperaturas e geadas no últimos 30 anos. Além de incluir mais dados do clima, o novo método também está utilizando recursos de informática para melhor determinar a divisão das regiões em zonas no Estado. A maior preocupação é sempre com a falta de água no Norte e a geada no Sul e Oeste, explica Dotto.
As novas cultivares, que vão ser recomendadas a partir da próxima semana, são de qualidade superior, a maioria com tolerância à germinação na espiga e rendimento superior às variedades usadas como padrão.
Durante a reunião, um dos destaques é a palestra sobre Biotecnologia no Desenvolvimento de Cultivares de Trigo, com a pesquisadora Maria Irene B. de Moraes Fernandes, da Embrapa Trigo. A 14ª Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo está sendo organizada pelo Iapar e Embrapa Soja, com o apoio da empresa Bayer.
Trigo é viávelA previsão dos pesquisadores é que o Paraná deve manter a mesma área de trigo do ano passado nesta próxima safra, aproximadamente 900 mil ha, com uma produção de 1 milhão e 600 mil toneladas e produtividade média de 1.800 kg/ha. Os preços estão bons, em torno de 160 a 170 dolares a tonelada, e este fator é determinante na decisão dos produtores, diz Dotto. Outro fator favorável é que no mercado internacional não há grande estoque disponível, o que leva a crer que não haverá grandes ofertas puxando os preços para baixo. O trigo ainda é, na opinião dos pesquisadores, a cultura que oferece o melhor retorno para o produtor no inverno.
A produção brasileira do ano passado foi de 2 milhões e 419 mil toneladas numa área de 1 milhão 466 mil ha, produção ainda insuficiente para atender o consumo interno. Dois terços do que consumimos vem do Exterior, principalmente da Argentina. Segundo Dotto a questão do aumento da produção de trigo no Brasil só depende de vontade política, porque tecnologia nós temos.
As novas cultivares resistentes e mais produtivas tornaram o trigo brasileiro viável tecnicamente, economicamente e também em termos de qualidade. Hoje o trigo produzido no Paraná e outras regiões produtoras é de excelente qualidade, não deixando nada a desejar quando comparado com o trigo importado, comentam os pesquisadores. No Norte do Paraná colhe-se o trigo de melhor qualidade do Estado, porque na fase do espigamento à maturação ocorrem períodos mais secos e alta insolação, explica Dotto.
Quase todo o trigo produzido no Brasil, hoje, é de qualidade superior. E no mercado já falta o trigo de padrão intermediário, também chamado trigo comum, bastante utilizado na indústria de massas para pizza e bolachas, entre outros produtos. Boa parte das nossas indústrias precisa de uma certa quantidade de trigo comum, com baixo glúten para misturar ao trigo superior, finaliza Dotto.





