Pesquisadores da Embrapa-Arroz e Feijão identificaram duas novas doenças que estão atacando lavouras de feijão e causando prejuízos a produtores de Minas Gerais e Goiás. O carvão-do-feijoeiro, como ficou conhecida uma das doenças, é provocado pelo fungo Ustilagoe caracteriza-se pela formação de bolores escuros nos talos e nas folhas, causando o murchamento da planta. Apesar de ser novidade, o carvão-do-feijoeiro, não causa preocupação, por causar poucos danos econômicos.
A outra doença é causada pelo fungo Colletrichum e tem sintomas similares aos da mancha angular. Ainda sem nome comum, a doença é identificada por uma lesão escurecida no talo, que causa o tombamento e a morte da planta. Os danos são graves e já causaram perdas totais em diversas lavouras da região central do Brasil e também em São Paulo.
ControlePor terem sido identificadas recentemente, as duas doenças ainda não têm métodos de controle. O pesquisador da Embrapa-Arroz e Feijão, Jefferson Luís da Silva Costa, explica que a Empresa está estudando técnicas de manejo e testando fungicidas, bem como buscando cultivares resistentes. Mas essas pesquisas só devem ter resultados no próximo ano.
Segundo Jefferson Costa, o que chama a atenção nessas doenças é o fato de que tanto o Ustilago quanto o Colletrichum atacam exclusivamente gramíneas, como milho e sorgo. ‘‘Teoricamente, esses agentes patógenos não poderiam estar causando doenças no feijão’’, explica. O pesquisador acredita que possa ter ocorrido algum processo de adaptação ou mutação. ‘‘Estamos estudando os dois fungos e através de técnicas de biologia molecular vamos poder identificar se houve mutação’’, diz.
Na opinião de Jefferson Costa, o surgimento das duas doenças está associado à utilização inadequada do plantio direto pelos produtores. Ele conta que nas regiões onde foram identificados os problemas é comum a utilização do plantio direto sem rotação de culturas. ‘‘A prática é a sucessão feijão-feijão-milho. Com a utilização frequente desse esquema, os fungos, próprios do milho, podem ter-se adaptado ao feijão’’, afirma.
RecomendaçõesEnquanto a pesquisa não encontra solução para essas doenças, o pesquisador recomenda aos produtores não utilizarem o grão como semente. É importante também limpar as máquinas antes de as usar em áreas não infestadas. ‘‘Além disso, o produtor deve fazer um planejamento da lavoura, optando pela rotação com diversas culturas e não apenas a sucessão’’.
Jefferson Costa acredita que as doenças possam já ter atingido outros Estados. Ele alerta os produtores que identificarem sintomas semelhantes em suas lavouras de feijão que avisem os órgãos de pesquisa. ‘‘Pode ser a Embrapa ou instituições estaduais’’.

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