Milton DóriaAlaíde Soares de Oliveira, do Cenargen, esteve em Londrina para mostrar a nova técnicaA produção de mais de dez espécies diferentes de cogumelos comestíveis e medicinais, com uma técnica chinesa chamada Jun Cao, está sendo pesquisada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen). A técnica utiliza como substrato gramíneas misturadas a outros nutrientes, em lugar dos troncos e serragem usadas no cultivo tradicional.
Além das vantagens econômicas, a substituição dos troncos por substrado traz benefícios do ponto de vista ambiental, já que elimina a derrubada de árvores, ocupa menos espaço, é mais barata, e reduz o tempo de colheita de seis para apenas dois meses. A nova técnica foi demonstrada no estande da Embrapa, durante a 38ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
AdaptaçãoA nova técnica ainda está sendo testada e avaliada pela pesquisadora Arailde Fontes Urben, do Cenargen, que teve seu primeiro contato com Jun Cao em 96, quando visitou a China. Logo em seguida ela coordenou o 1º Curso de Cultivo de Cogumelos Comestíveis no Brasil, tendo como instrutor convidado o professor Lin Yuexin, da Universidade de Fuzhou, na China.
DivulgaçãoProduçãoO peso dos cogumelos frescos varia de 100 a 255 gramas, com a utilização de 500 gramas do substrato
A China é pioneira no cultivo de fungos comestíveis, seguida de perto pelo Japão e Estados Unidos. No Brasil, o consumo e cultivo ainda é bastante restrito, embora algumas tribos indígenas incluam em sua dieta cerca de 22 espécies nativas. A maior parte da população, no entanto, está mais familiarizada apenas com o Agaricus bisporus, o conhecido ‘‘champignon de Paris’’, que tem produção pequena e alto custo.
A pesquisa desenvolvida pelo Cenargen inclui, além da nova técnica, a identificação de fungos de alto valor nutricional entre as espécies brasileiras. A adaptação da tecnologia chinesa às nossas condições de solo e clima também passa pela pesquisa de gramíneas existentes na região para encontrar o substrato ideal.
ArquivoNa técnica tradicional são utilizadas toras para produção de cogumelos
A pesquisadora diz acreditar que, utilizando a tecnologia chinesa adaptada às condições brasileiras, é possível produzir cogumelos com níveis de produtividade e qualidade semelhantes aos obtidos na China. Em quatro anos (90 a 94) os chineses conseguiram aumentar sua produção em 240%, utilizando o jun Cao em espécies como o shiitake, hiratake ou shimeji e o champignon. Em 94 a produção chinesa de cogumelos alcançou 150 mil toneladas e no Brasil estima-se que em 95 a produção tenha atingido 3 mil toneladas.
ResultadosA pesquisa em andamento no Cenargen já apresenta alguns resultados. Foram selecionadas sete espécies de gramíneas de elevado valor protéico e com potencial para produção de cogumelos que são as seguintes: tifton, coast cross, capim-elefante, cameron e cana-de-açúcar.
Junto com as gramíneas foram testadas 10 espécies de cogumelos comestíveis e medicinais, com objetivo de adequar o substrato à espécie. Das espécies estudadas, cinco tiveram alta produtividade em seis diferentes compostos. Todos os compostos utilizaram gramíneas diversas, acrescidas de farelo de arroz, gesso e água.
De maneira geral o peso dos cogumelos frescos variou de 100 a 255 gramas na primeira colheita, com a utilização de 500 gramas de substrato, evidenciando que os substratos testados favoreceram o desenvolvimento vegetativo dos fungos e consequente produção de cogumelos de excelente qualidade.
Com estes resultados, o ‘‘projeto cogumelo’’ evoluiu para a criação de um Banco de Germoplasma de Cogumelos para Uso Humano, desenvolvido em parceria com diversas instituições como a Universidade Federal de Pernambuco, Emater/RS, Embrapa Florestas e outras.
Entre os objetivos do projeto está a descoberta de cogumelos com elevado potencial protéico ou medicinal ainda não registrado na literatura, casos em que deverão ser tomadas medidas para proteção da descoberta.

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