Um novo método de perfuração de poços tem facilitado a vida de produtores da região. A técnica, batizada como poço australiano, consiste na busca de veios de água, na parte superficial do subsolo, com o uso alternado de broca e injeção de água, que penetram a terra de maneira inclinada (em torno de 45 graus). A quantidade retirada do poço varia de 15 mil a 30 mil litros de água por dia, conforme a localização da propriedade.
Vanderley Monteiro, responsável pelo sistema, explica que, além do bom volume de água, o sistema é mais simples e mais barato que os tradicionais poços artesianos. Ele utiliza a técnica há 16 anos e sua empresa, a Captção de Água, sediada em Muzambinho (MG), já tem poços em funcionamento em Minas Gerais, Goiás, São Paulo e, agora, no Paraná. ''Este método de perfurar é conhecido por captação de água horizontal e oblíquo'', informa. O sistema de perfuração Monteiro diz ter aprendido com um técnico vindo da Austrália. O preço médio de cada poço é de R$ 3,5 mil, bem menor do que a perfuração de um poço artesiano, convencional.
Monteiro explica que o terreno onde vai perfurar necessita ser úmido, sempre no sopé de um descampado. ''O desnível do terreno leva a água por gravidade até um reservatório qualquer, não é preciso usar bomba de água. A reportagem da FOLHA presenciou a aplicação do método na Fazenda Nossa Senhora da Penha, 30 quilômetros de Londrina. A água saiu por queda livre após a perfuração. Ele acrescenta que um cano de PVC 75 mm é colocado como camisa, antes do cano que irá captar água até 35 metros terra a dentro. Conforme o volume de água, são introduzidos canos de 3/4, 1 polegada e meia polegada dentro da camisa de PVC.
Consultado pela reportagem, o especialista em águas subterrâneas, André Celligoi, professor do curso de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz desconhecer o método do poço australiano. Celligoi é doutor em Hidrogeologia e vice-presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas) do Paraná. Pela informações repassadas sobre o procedimento, o pesquisador deduz que a canalização atinja o lençol freático, localizado entre a rocha e a terra, onde há saturação de água. ''É a mesma coisa do poço de cacimba, conhecido como poço caipira'', calcula Celligoi, ao acrescentar que no poço de cacimba a água precisa ser bombeada ou retirada por um balde amarrado numa corda. No poço Australiano a água sai por gravidade do subsolo.
Celligoi diz ainda que, pelo método de retirada de água, não há qualquer perigo de secar ou desviar água do lençol freático. Entretanto, alerta que águas superficiais estão mais vulneráveis, podendo ser infectadas pela presença de fossas próximas, pocilgas ou mangueirões para gado. ''Este tipo de água deve ser utilizada para fins menos exigentes, como na criação de animais e irrigação de lavouras'', recomenda.
Serviço: Informações sobre o poço australiano pelo telefone (43) 9987-6921 com Fernando

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