O desafio para o produtor brasileiro é buscar eficiência e baixos custos. Os pequenos produtores não têm escala de produção para garantir uma renda mínima à sua sobrevivência e investir na modernização. Dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), indicam que a baixa produtividade e a descapitalização já retiraram da atividade cerca de 100 mil pequenos produtores desde o início do Plano Real.
As informações são dos pesquisadores da Embrapa Gado do de Leite, de Juiz de Fora (MG), Geraldo Calegar e Jarli Moreira de Lima. Galegar estará fazendo palestra no encontro de produtores de Jacarezinho na próxima quinta-feira, dia 27, abordando uma visão geral e tendências da pecuária de leite.
Segundo ele, a abertura da economia, o fim do tabelamento do preço do leite, as políticas monetária e cambial adotada pelo governo desde a implantação do Plano Real, são responsáveis hoje por uma nova realidade para o setor leiteiro nacional.
Este contexto, segundo os pesquisadores, tem exigido a modernização da pecuária leiteira nacional, para contornar os entraves ao seu desenvolvimento, capaz de torná-la lucrativa e sustentável a longo prazo. O trabalho, de acordo com pesquisadores, começa nas regiões produtoras e extrapola por todo o setor da cadeia produtiva.
O País tem hoje pouca competitividade no mercado internacional e dificuldades para suprir a demanda interna, sem recorrer as importações. Segundo os pesquisadores isso acontece devido à baixa qualidade do leite e derivados, altos custos e baixa escala de produção, assistência técnica e capacidade gerencial deficientes, elevado custo de transporte e regulamentação excessiva e obsoleta.
Atraso Os pesquisadores citam o caso da pecuária leiteira na Argentina, que vem demonstrando crescimento devido a boa margem de lucratividade, baixo custo de produção, aumento da eficiência com a utilização de modernas tecnologias nas fazendas e o crescimento da exportação de lácteos. No Brasil o segmento produtivo está atrasado, com baixos índices de produtividade e produção por estabelecimento, contra um grande potencial produtivo e de redução de custo de produção.
Mesmo assim, asseguram os pesquisadores, lideranças do setor têm trabalhado para melhorar o quadro. Um exemplo foi o aumento da alíquota de importação para 33% para produtos lácteos, decorrente do movimento ‘‘SOS Leite’’. Foi nomeada uma comissão para criação de uma política leiteira e a elaboração do Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite, com participação dos setores público e privado, envolvendo os agentes que atuam diretamente na cadeia produtiva do leite. (C.B.)

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