Nova previsão é de produção menor Para o período 98/99 o Governo previra uma supersafra de 84 milhões de toneladas. A produção obtida foi menor Dorico da SilvaAlgodão deve ter aumento de quase 20%Para a soja Conab prevê produção 2,5% maior Jota Oliveira Da Editoria O Ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, anunciou há uma semana a terceira previsão de safra feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que corrigiu os cálculos dos 83,4 milhões de toneladas de grãos previstos no fim do ano passado para 83,1 milhões de toneladas. Mesmo menor do que a perspectiva anterior, se for confirmada será o recorde de produção agrícola no Brasil, disse o Ministro. Essa produção significará aumento de 703.2000 toneladas (0,9%), em relação aos 82,4 milhões/t da safra 1998/99. O Governo está satisfeito com os novos indicativos, mesmo sendo menores aos da previsão passada, porque o recorde de produção deverá ser alcançado apesar da estiagem na Região Sul. Também a área cultivada aumentou em relação à safra 98-99, passando de 36,67 milhões de hectares para 36,97 milhões de hectares (+ 0,8%). Foram consideradas no levantamento as culturas de algodão, amendoim 1ª safra, arroz, feijão 1ª safra, mamona, milho 1ª safra e soja. A pesquisa desenvolveu-se de 7 a 12 deste mês, feita por 46 técnicos que percorreram 401 municípios em todo o País e entrevistaram 1.600 pessoas. Culturas Conforme a previsão da Conab, o caroço de algodão pode atingir 1,1 milhão t, com aumento de 18,8% em comparação à anterior, de 924.800 mil t e produtividade de 2.273kg/ha (recorde brasileiro). A colheita de feijão deve chegar a quase 3 milhões de t, com um acréscimo de 2% em relação à passada, de 2,9 milhões de t; a soja passaria de 30,8 milhões de t para 31,5 milhões, com variação de 2,4%. O milho deverá sofrer uma redução de 0,6%, baixando de 32,4 milhões de t para 32,2 milhões de t. A produção de arroz deverá ter um decréscimo de 1,3%: cairá de 11,5 milhões de t para 11,4 milhões de t. A Região Centro-Sul contribui com mais de 60% da produção nacional dos principais grãos. Dúvida Para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ‘‘será muito difícil’’ serem concretizadas as previsões de safra, feitas pelo Governo, que acredita na possibilidade de uma produção recorde, superior a 83 milhões de toneladas de grãos. O presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, e presidente da Federação da Agricultura de Goiás, João Bosco Umbelino dos Santos, a safra 99/2000 ‘‘não deverá ultrapassaar 81 milhões de toneladas de grãos’’, em consequência da estiagem no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. Ele fez essa previsão, tendo por base informações recebidas das federações de agricultura de todo o País, falando em quebras das safras de arroz, feijão, milho e soja ‘‘em algumas regiões’’. Umbelino afirma que o crescimento da produção ‘‘em algumas regiões do Centro-Oeste e Nordeste não deverá ser suficiente para compensar a queda em outros Estados’’. O presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA acrescenta que, mesmo se o resultado da safra for superior a 83 milhões de toneladas, este ‘‘será um número insignificante diante do potencial da agricultura brasileira.’’ Paraná O relatório de Safras, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) confirma as estimativas de quebra da safra de grãos de verão no Paraná: 16,45 milhões de toneladas – uma redução de 5,8%, comparando-se com a safra 98/99. Nesta estimativa foi incluída a primeira previsão da 2ª safra de milho. Considerando as culturas de milho (normal), feijão das águas, soja, café, arroz e amendoim, foram perdidos 1,6 milhão de toneladas, ou 11% em relação à estimativa inicial. Outras culturas: milho 1ª Safra – área plantada, 1.542.000 ha, produção de 5.250.000 toneladas (- 13%); soja – área reavaliada para 2.832.000 hectares. A produção atualmente está estimada em 7.050.000 toneladas (- 9%); café – confirmada previsão de 2.250.000 sacas, beneficiadas, de 60 kg (- 20%, em comparação com a previsão inicial de 2.800.000 sacas; feijão – quebra de safra confirmada em 23% (a previsão inicial era de 475.000 toneladas, reavaliada para 368.000 toneladas; milho 2ª Safra (safrinha) – a primeira estimativa aponta um crescimento de 9% na área, projetada para 1.100.000 ha; a produção, considerando condições climáticas normais, está prevista em 3.250.000 toneladas (+ 12% em relação a 98/99); feijão da seca – reavaliada a área para 93.000 ha (- 42%, reflexo dos baixos preços do produto), produção de 114.000 toneladas; trigo – a estimativa preliminar aponta redução de 4% na área, projetada para 684.000 ha. O plantio no Paraná vai de abril a julho.