Nova praga na soja do Cerrado
Na região dos Cerrados, além da soja ele ataca as pastagens. O controle desse percevejo (Scaptocoris castanea, ou percevejo-enterrador), é difícil.
Ele ataca as raízes e suga a seiva das plantas, que podem até morrer. O pesquisador Antônio Panizzi, da Área de Entomologia da Embrapa-Soja, explica que a situação fica ainda mais grave porque o percevejo-castanho é polífago (alimenta-se de várias espécies de plantas). Além disso, foi descoberta mais uma espécie, o Atarsocoris brachiariae, que ataca pastagens.
O Atarsocoris brachiariae, informa o pesquisador, tem uma morfologia que lhe permite escavar até dois metros de profundidade. O primeiro par de patas é pontiagudo, próprio para cavar; o segundo par assemelha-se a remos, serve para puxar a terra; e o terceiro é semelhante a pata de elefante e é usado para empurrar.
DesequilíbrioO ataque do percevejo-castanho na soja em Mato grosso foi observado em 92, na região de Dom Aquino, próximo de Rondonópolis, e já causou prejuízos graves. Segundo Panizzi, que esteve na região, foram comprometidos até 40% da produção em algumas lavouras de soja. O problema é mais acentuado naquela região devido ao desequilíbrio ambiental.
A vegetação típica dos Cerrados foi retirada e se instalou um sistema de simplificação de diversidade botânica. Os percevejos-castanhos sempre existiram e agora têm na soja e na pastagem os únicos meios de alimentação - explica Panizzi.
Outras regiões também estão vivendo o problema, mas em menor escala. São Paulo, Minas Gerais e Norte do Paraná já têm focos daquele percevejo. No Paraná o solo argiloso é desfavorável ao desenvolvimento da praga.
Ainda não existem formas de prevenção do percevejo-castanho, e por isto o pesquisador recomenda aos lavradores: Fiquem de olho. Quando alguma cultura apresentar plantas murchas, deve-se procurar a assistência técnica. O percevejo-castanho não aparece sobre as plantas nas lavouras, já que vive dentro do solo. As sementes devem ser tratadas com inseticida (que seja recomendado pela pesquisa), ou o inseticida pode ser misturar ao adubo. Quando o ataque for muito intenso, deve-se revolver o solo com arado. Para isso é necessário avaliar criteriosamente se a área é suscetível à erosão. Já foi provado também que altos teores de matéria orgânica dificultam a instalação da praga no solo.
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Mato Grosso (Empaer), pesquisa o controle biológico do percevejo,que poderá ser controlado pelo fungo Metharizium.





