Nova opção de renda para o Norte
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sexta-feira, 03 de outubro de 1997
Cristina Côrtes 
BelezaA produção de orquídeas pode ser uma boa alternativa para quem quer iniciar o cultivo de floresProdutores de flores da região Norte do Paraná estão oferecendo ao mercado local um produto de boa qualidade e de preço competitivo. Eles esperam aumentar, dentro de pouco tempo, as variedades das espécies produzidas, e construir um centro de comercialização que atenda os interesses de produtores e consumidores.
Esta é a avaliação do presidente da Associação Norte-Paranaense de Produtores de Flores e Plantas Ornamentais (Aflopar), Célio Francisco, que coordenou a 1ª Mostra de Flores e Plantas Ornamentais, realizada de 25 a 28 de setembro, em Londrina. Muitas pessoas interessadas em entrar na atividade têm nos procurado, e atualmente nossa maior preocupação é construir um centro de comercialização para atender melhor os nossos clientes.
A 1ª Mostra de Flores e Plantas Ornamentais da Aflopar destacou a qualidade da produção local
A associação está solicitando à prefeitura a doação de um terreno para construção desse centro, que precisará estar bem aparelhado, com câmaras frias para os estoques das plantas. Célio Francisco prevê um investimento de aproximadamente R$ 400 mil para coloca o centro em funcionamento.
Apoio técnicoDesde a criação da Aflopar, muitas pessoas têm procurado a associação em busca de informações sobre a atividade. Com o objetivo de repassar informações técnicas e atualizadas, a associação está promovendo cursos. O primeiro deles já foi realizado e teve aproximadamente 100 participantes, que conheceram as noções básicas para a produção de flores.
Um dos participantes, o agrônomo Manoel de Oliveira, está animado com as perspectivas do futuro negócio. Atualmente ele trabalha numa empresa de assistência técnica, e vê na floricultura a possibilidade de integrar a mulher e os filhos num novo trabalho, com boa opção de renda.
Manoel Oliveira já comprou uma área de três alqueires, localizada entre Londrina e Ibiporã, e pretende começar com uma estufa de 1500 metros quadrados. Só resolvi entrar na atividade depois do contato com a associação, quando percebi que poderia contar com assistência técnica e outras informações, diz Manoel.
Rogério Miura começou como colecionador de orquídeas e hoje está produzindo comercialmente
Entre as orientações da associação está a indicação da melhor opção a ser plantada. Ou seja, quais espécies que têm pouca ou nenhuma produção na região e poderiam integrar o leque de itens exigidos na hora da comercialização. Um ponto de venda necessita em geral de 50 a 100 itens diferentes, dependendo do tamanho da loja, e atualmente a região pode fornecer aproximadamente 20 destes produtos, informa Célio Francisco.
MercadoA maior parte das plantas e flores consumidas na região
vem de fora, e os produtores locais acreditam que o transporte reduz a qualidade das plantas e onera o preço. Com o crescimento da produção local, os preços dos grandes atacadistas já baixaram, para disputar o mercado, comenta Célio.
O agrônomo Manoel de Oliveira está participando dos cursos da Aflopar, preparando-se para iniciar a nova atividade
O caminho que a flor percorre do produtor até o consumidor é grande. Em São Paulo, a planta sai da propriedade, vai para os leilões, onde é comprada pelos atacadistas, que às vezes estocam por um período. Depois o caminhão sai, viajando e parando em cada floricultura.Até chegar ao consumidor final, a vida útil da planta fica reduzida a duas semanas, diz Célio. Agora se as distâncias são menores, o consumidor pode ter um produto que dure mais tempo em sua casa, por um preço melhor.
O presidente da Aflopar comenta que quando começou a trabalhar com comercialização de flores há oito anos, a grande preocupação era não perder a passagem do caminhão do atacadista. Dependíamos totalmente deles. Hoje os caminhões passam até duas vezes por semana, para abastecer as lojas. Esperamos que com a construção do centro de comercialização os lojistas possam ter mais opções a preços melhores, completa.


