Nova mosca-branca está chegando
Nova mosca-branca está chegando
A praga preocupa pesquisadores paranaenses que iniciam levantamentos para avaliar ocorrência
Da redação
Pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) iniciam projeto de pesquisa para identificação da mosca-branca no Paraná, antecipando-se aos problemas já ocorridos em lavouras em São Paulo, Minas Gerais e vários Estados do Nordeste, onde a espécie Bemisia argentifolli vem causando prejuízos a diversas culturas como melão, olerícolas, algodão, soja e citrus.
O objetivo do projeto de pesquisa em andamento no Iapar é avaliar a possível ocorrência da espécie B. argentifolii no Estado; sua distribuição geográfica, hospedeiros atingidos e transmissão de virose. Desta forma, destaca a pesquisadora Sueli Martinez, queremos saber o potencial de dano da nova espécie e fornecer subsídios para que medidas de manejo da praga possam ser tomadas mais amplamente nas áreas mais afetadas.
O Ministério da Agricultura estima que os prejuízos causados pelo inseto no Nordeste brasileiro já chegam a cifra de R$500 milhões, em perdas de hortaliças e frutas. No Paraná, além dos pesquisadores, o Governo do Estado, através do Departamento de Fiscalização (Defis) da Secretaria da Agricultura também está preocupado em saber se a mosca-branca já chegou; em quais regiões ela está presente e nível dos prejuízos causados às lavouras, para definir atividades de defesa fitossanitária.
Similar conhecidoA pesquisadora Sueli Souza Martinez, entomologista do Iapar, lembra que a mosca-branca de espécie Bemisia tabaci vem sendo considerada praga no Brasil há cerca de 30 anos, por danos no feijão em decorrência da transmissão do vírus do mosáico-dourado.
No Paraná, onde já foram observadas perdas de até 100% durante a safra de feijão da seca, os níveis da mosca-branca foram significativamente reduzidos nos últimos anos, em consequência de uma série de medidas recomendadas pelo Iapar.
As principais tiveram início com um rigoroso zoneamento agrícola para plantio de feijão, ainda na década de 80. Posteriormente, com o desenvolvimento e introdução de variedades resistentes, como Iapar 57 (grão carioca, em 1992; Iapar 65 (preto) em 1993 e Iapar 72 (grão carioca), em 94, além de medidas de manejo de pragas, os prejuízos causados pelo mosáico-dourado foram reduzidos praticamente a zero.
A preocupação de técnicos, contudo, é com a nova espécie de mosca-branca identificada pelo pesquisador A. Lourenção, do Instituto Agronômico de Campinas a partir de 91 em alguns municípios do Estado de São Paulo. A principal característica dessas ocorrência foi o surgimento de B. argentifolii em altas populações em culturas de interesses econômico. Foram verificadas ocorrências em plantas ornamentais em Holambra, tomate estaqueado, e em lavouras de produção de olerícolas. A partir de 91 houve disseminação para o Distrito Federal, Minas, Paraná, Rio de Janeiro e Bahia e Pernambuco. Neste último, sobretudo, causando sérios prejuízos em lavouras de tomates industrial.
Os principais danos relatados pelos pesquisadores estão relacionados à ação tóxica de fumagina sobre as folhas (uma espécie de secreção açucarada dos insetos, depositada nas folhas, provocando seu secamento), além de, quando em altas populações, provocar necrose de folhas e produção de frutos irregulares, resultando em perda de valor no mercado.
Áreas de RiscoA pesquisadora Sueli Martinez lembra que no Paraná são cultivadas grandes áreas de culturas hospedeiras de B. argentifolii, como feijão, soja, citrus e diferentes espécies de olerícolas, tornando o dano potencial dessa espécies bastante significativo para a economia paranaense. Ainda não temos certeza se a nova espécie ocorre no Estado, admite. Mas ela lembra o zoneamento ecológico feito para B. tabaci, com base em suas necessidades térmicas, e o levantamento de incidência de mosáico-dourado em todo o Estado (principal dano causado pela espécie) que permitem identificar as regiões em que a mosca tem maior potencial para se desenvolver, e que seriam consideradas as áreas de maior risco de sofrer problemas com a praga, explica. A pesquisadora espera que esse mapeamento ajude a identificar as áreas de risco também para B. argentifolii, porque a biologia dessas duas espécies é bastante próxima.
PesquisaPara o fitopatogista do Iapar. Anésio Bianchini, é possível que a espécie B. argentifolii esteja ocorrendo no Paraná: Talvez seja questão de tempo detectar seu aparecimento, uma vez que não existe barreira física impedindo a migração da mosca de São Paulo para outros Estados, afirma.
Segundo o chefe da Defesa Sanitária Vegetal do Paraná, Hamilton Antônio Keller, é necessário ter os dados de pesquisa para direcionar as medidas de prevenção ou restrição de entrada de produtos, tendo em vista a proteção da agricultura estadual e as relações de comércio nacional e até internacional, e suas possíveis consequências em relação à legislação e exportação de produtos entre os países do Mercosul.
Para tanto, será realizado um amplo levantamneto das culturas hospedeiras e a identificação dos insetos através de sofisticadas análises de DNA. Estas informações permitirão também orientar novas linhas de pesquisas de controle e manejo da praga.





