Nova fase do nelore no Brasil
Cristina Côrtes
De Londrina
Os criadores de nelore no Brasil podem comemorar o início de uma nova fase que vai melhorar as características genéticas desta raça, que compõe 80% do rebanho brasileiro. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) está implantando um programa de intercâmbio para melhoramento genético do gado zebuíno, com a Universidade de Acharya Ranga, na Índia, para troca de tecnologias. Segundo o reitor Jackson Proença Testa, o Banco de Germoplasma da UEL, já implantado, deverá estar recebendo embriões e sêmem da Índia até o início do próximo semestre.
Estas novas linhagens que virão da Índia, berço do nelore, vão acrescentar ganho de peso, possibilitando uma oferta maior de proteína animal. Esse programa vai democratizar o acesso dos produtores brasileiros a uma geneática de mais qualidade .
O desenvolvimento do melhoramento do gado nelore no Brasil tem se transformado num grande problema no País, devido à proibição da importação de novos animais e embriões, levando a um distanciamento da pureza racial. De todo o rebanho brasileiro, aproximadamente 80% são nelore que se originou de seis grandes geniarcas. O intercâmbio entre Brasil-Índia é cooperação mútua. Para o Brasil interessa melhorar as linhagens para produção de carne e a Índia quer importar animais para melhorar sua produção de leite, já que os indianos não comem carne. São parceiros desse projeto a Universidade do Norte do Paraná (Unopar) e a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ).
MelhoramentoO Brasil se transformou na terra do melhor neloreao longo do tempo, em consequência de trabalhos de melhoramento, realizados por núcleos de criadores isolados. Com o fechamento das importações há mais de três décadas (desde l962), a consanguinidade vem descaracterizando a raça, e fez surgir uma nova opção, assim chamados os animais contrabandeados. Segundo o professor da UEL, Ricardo Flores, que participou das duas viagens à Índia, esses animais às vezes recebem um registro falso aqui no Brasil, e não têm acrescentado grandes ganhos de qualidade,porque normalmente são escolhidos com base apenas no fenótipo (beleza), sem exigir testes de progênie.
Segundo Flores, o pulo-do-gato deste programa é que só através do intercâmbio entre as universidades o Brasil poderá ter acesso ao melhor do gado indiano. Somente o Estado de Andhra Pradesh, onde está localizada a Universidade de Acharya, é considerado pela Organização Internacional de Epizootia (OIE) livre de peste bovina e febre aftosa, e portanto passível de ser importado, explica Flores.
Mesmo que as importações sejam liberadas no Brasil, só existe gado nelore de qualidade neste Estado e eles só vendem quando é através do intercâmbio. Segundo Flores, o gado ou embriões que têm vindo nos últimos anos para o Brasil não têm origem comprovada.
Capital do zebuLondrina deverá se transformar na Capital do Zebu no Brasil, através da implantação do Programa de Intercâmbio. A afirmação é do deputado estadual Abelardo Lupion, presidente da Comissão Parlamentar Brasil-Índia, que tem trabalhado para derrubar a proibição de importação de animais e embriões instituida desde 1962.
Nosso gado está perdendo a fertilidade e suas características originais por causa do cruzamento com animais inferiores, comenta o deputado, que também é criador de nelore. O melhoramento através das importações de novas linhagens deverá possibilitar um abate em condições ideais em até 18 meses, reduzindo assim o tempo do animal pronto para abate, completa Lupion.
Uma comissão do Ministério da Agricultura viaja à Índia em maio, para visitar e credenciar os laboratórios indianos nas normas da OIE. A UEL deve começar a receber esses embriões e sêmem na metade do ano e vai se responsabilizar pela distribuição aos criadores interessados, que devem se cadastrar junto ao Banco de Germoplasma da Universidade.
ProgramaO programa de Germoplasma da UEL foi criado em 97, seguindo o modelo do programa indiano, que foi implantado a partir de 1981. Segundo Ricardo Flores, o programa da UEL seguiu o modelo do programa de Germoplasma do Gado Ongole, iniciado em 1986 na Índia, visando a preservação e o melhoramento da raça naquele país. Este programa surgiu lá, porque há aproximadamente 25 anos o nelore começou a entrar em fase de extinção em função da substituição das pastagens pela agricultura, explica Flores.
No Estado de Andhra Pradesf, na zona oriental da península indiana, iniciou-se o trabalho com a criação de um banco de germoplasma. Hoje existem 950 vacas matrizes da melhor linhagem que produzem embrião e sêmem que são distribuidos entre pequenos criadores nas vilas, com o objetivo de melhorar as características raciais. As vacas indianas produzem em média de 12 a 16 litros de leite, enquanto a vaca nelore no Brasil produz apenas para alimentar o bezerro, entre 4 a 6 litros, comenta Flores.
O interesse brasileiro neste projeto é aumentar a produtividade de carne e os indíanos querem importar embriões de vacas selecionados aqui no Brasil, para melhorar a produção de leite de seus animais. La na Índia o macho é utilizado apenas como um trator, comenta Flores.
Assim que estes novos materiais genéticos chegarem, eles serão colocados à disposição dos criadores interessados e também servirão de material aos professores e estudantes para novas pesquisas.Programa de intercâmbio entre Brasil e Índia dará início à recuperação da raça entre os criadores brasileiros
Divulgação UELAo centro o Ministro da Agricultura da Índia, o deputado Abelardo Lupion e o Reitor Jackson Proneça Testa, junto com comitiva que visitou a IndiaVaca de excelente carcaterização racial, parte do plantel que está sendo recuperadoPlantel da Universidade de Acharya RangaO reitor Jackson Proença Testa registrando animal na Fazenda Experimental do governo indiano





