A Secretaria de Defesa Sanitária Animal (DSA), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), está aguardando uma formalização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, para iniciar o trabalho de sorologia de amostragem no rebanho do Estado. São 9.200 milhões de cabeças de bovídeos, bovinos e bubalinos, em todo o Estado.
O objetivo é constatar a ausência do vírus da aftosa e pedir um atestado, para o Paraná, de área livre com vacinação, o que deverá ampliar o mercado para exportação da carne. Receber o atestado de área livre com vacinação significa ampliar mercados para outros países como Estados Unidos e Japão. A sorologia nos animais deverá ser um trabalho paralelo à campanha de vacinação, programada para 1º a 20 de outubro. A coleta deverá ser feita por técnicos da DSA.
Sem vírusO Paraná está há 30 meses sem ocorrência da enfermidade. O último caso foi registrado na região de Pérola e São Jorge do Patrocínio, no Noroeste do Estado, em maio de 1995. ‘‘Não se tem presença do vírus no meio, mas a constatação ainda depende de sorologia’’, afirma o chefe da DSA, Felisberto Queiroz Batista.
Os testes de sorologia, segundo ele, servirão para pleitear área livre com vacinação junto à Organização Internacional de Epizootias (OIE). O pedido já foi feito pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Alta vigilânciaO Paraná já cumpriu mais de dois anos sem ocorrência de foco da doença. O chefe da DSA, Felisberto Batista, garante que existe uma estrutura bem montada de vigilância sanitária. O Paraná tem 23 postos de barreiras nas divisas com Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina. As barreiras sanitárias pegam as principais rotas de trânsito de animais só permitindo a entrada dos vacinados. Além da fiscalização nas barreiras, há visitas às propriedades.
Batista informa que há projeto de ampliação de 23 barreiras para 33, além do aumento de 104 unidades veterinárias para 120 unidades. Ele garante que o Paraná tem hoje um rígido esquema de ação emergencial, no caso de supeita da doença, além de um sistema de comunição ágil entre as unidades e o setor privado e lideranças dos diversos segmentos do complexo leite e carne.
Imunidade totalNa primeira etapa da campanha, em abril deste ano, segundo Batista, o Paraná conseguiu 96% de vacinação. Na segunda etapa, que começa no dia 1º de outubro, a meta é conseguir 100%. Também nessa segunda fase serão vacinados os animais menores de 4 meses de idade, que deverão receber uma dose de reforço 90 dias após a vacinação, numa estrátgegia para aumentar a imunidade do rebanho.
O controle de entrada e movimentação de animais dentro do Estado e a vacinação do rebanho, desde o primeiro dia de vida, segundo Batista, são os principais alicerces do trabalho de controle e erradicação da aftosa. Toda a movimentação de animais e produtos de origem animal, dentro e fora do Estado, só pode ser feita com a apresentação da Guia de Transporte Animal (GTA). Há também, segundo Batista, visitas surpresas em propriedades e fiscalizações volantes nas principais regiões de movimentação de animais.
ConscientizaçãoDe acordo com Batista, no trabalho de erradicação da aftosa existem peculiaridades. No Noroeste, por exemplo, onde as propriedades são maiores e o pecuarista mais tecnificado, ‘‘o trabalho de conscientização é mais fácil, com alto percentual do rebanho vacinado.’’
No Sudoeste, onde predominam pequenos rebanhos, o número de visitas dos técnicos é intensificado. O que preocupa a defesa sanitária, no entanto, tem sido a figura do intermediário; aquelas pessoas que compram e vendem animais e que ficam pouco tempo com esses animais, sem fazer a vacinação. ‘‘Embora o número desses intermediários seja pequeno, o trabalho dos técnicos tem sido efetivo’’, garante Barbosa. ‘‘Também o próprio pecuarista está consciente e de olho nestas pessoas, contribuindo e denunciando.’’
A liberação do Paraná da vacinação contra a febre aftosa dependerá da ampliação de área considerada livre também dos Estados que fazem fronteira. Depois de área liberada com vacinação, será preciso ainda mais um ano para retirar a vacinação. ‘‘É uma situação de risco que deverá ser bastante analisada’’, afirma Batista. Hoje 80% da movimentação de animais no Paraná são provenientes do Mato Grosso do Sul (que está em situação semelhante ao Paraná, com mais de dois anos sem foco da aftosa), 12% ou pouco mais são de São Paulo e o restante de outros Estados.
Sem atropelosNos dias que antecedem a vacinação o criador deverá se programar para o manejo dos animais e a compra da vacina, que só será efetivamente liberada no dia 1º de outubro. ‘‘Importante é não deixar para a última hora e ficar à mercê de contratempos climáticos que poderão dificultar o trabalho’’, avisa o veterinário da DSA, Marco Antonio Teixeira Pinto.
A vacinação é obrigatória durante a campanha. Encerrado o prazo o criador terá que pedir autorização para vacinar. ‘‘Quem não vacinar estará sujeito a multa no valor de 3 UPF por animal’’, garante Teixeira Pinto . Hoje cada UPF vale R$28,08. A vacina pode ser comprada em frascos com 10, 40 ou 50 doses, ao preço médio de R$0,50 a dose. Uma sugestão dos técnicos da defesa sanitária é a compra conjunta pelos criadores que têm baixo número de cabeças de animais.

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