A vida do agricultor Celso Oshima, de Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio, Norte do Paraná), poderia ser igual a de centenas de pequenos produtores que insistem na exploração convencional, sobrevivendo do café, algodão, milho e até a soja, apesar da falta de escala. Mas não é.
A escolha de alternativas a essas culturas, adotando um modelo de diversificação, foi o primeiro desafio. Afinal, manter muitas atividades num pequeno sítio ainda não significaria o rompimento com a agricultura convencional, sujeita aos caprichos do mercado.
Foi preciso ir além. Oshima buscou no associativismo a fórmula para estabilidade econômica da propriedade. Ele e mais cinco colegas encontraram na fruticultura a oportunidade de chegar à modernização e à qualidade de vida sem sair do campo. A opção foi o cultivo de laranja para venda in natura.
Os primeiros plantios foram tímidos, porém promissores. Do pequeno grupo de seis agricultores, em 1994, apenas quatro alqueires foram destinados ao pomar. Com o passar do tempo novos produtores se juntaram ao grupo, que já estava chamando a atenção pela boa rentabilidade e também pela estrutura de pós-colheita, montada para possibilitar a comercilização direta, conta Celso Oshima.
Com a instalação de um packing house - local destinado a seleção, limpeza e classificação das frutas -, o grupo passou a discutir também questões de fora da propriedade e definiu pessoas responsáveis pela venda da produção. Ao mesmo tempo o grupo buscou incentivos para ampliar as áreas dos pomares
Da reunião informal, entre amigos, nasceu o Grupo Nova Citrus que hoje conta com 40 associados e uma área de quase 100 alqueires de laranja, instalados em propriedades médias de quatro a oito alqueires. A associação, que surgiu em Nova América da Colina, hoje reúne produtores de outros três municípios: Assaí, São Sebastião da Amoreira e Cornélio Procópio.
O novo caminho não surgiu por acaso: estudo sobre mercado para fruticultura sinalizava com a ampliação da renda, o que se confirmou. Ao completar 10 anos, os associados do Nova Citrus discutem tudo, da tecnologia para implantação de uma lavoura até estratégias de comercialização.
A laranja foi mais uma alternativa para diversificar a propriedade e serviu para potencializar a renda - resume o técnico da Emater de Cornélio Procópio, Maurílio Soares Gomes, atual responsável pela orientação de produtores da região.
Segundo ele, a maioria das propriedades conta também com outras fontes de renda como grãos, café e uva. Mas a laranja é o grande trunfo desses agricultores.
No pico de produção, por volta do oitavo ano, torna-se a maior fonte de renda: na safra 2002, por exemplo, lavouras com esta idade resultaram em uma margem de R$ 9 mil por ha (quase R$ 22 mil por alqueire), enquanto que a soja rendeu R$ 1.200 para os produtores (R$ 3 mil por alqueire).
Soares destaca, no entanto, que a diversificação e o associativismo podem dar certo com inúmeras culturas. É preciso que os agricultores, especialmente os pequenos, descubram sua vocação e a necessidade do mercado regional.
O exemplo do Nova Citrus é uma referência para que outras regiões desenvolvam sistemas similares. O projeto não é, necessáriamente, um modelo único de sucesso.
A determinação do grupo, lembra o agricultor Celso Oshima, era encontrar uma cultura alternativa que possibilitasse a permanência de muitas famílias na atividade agrícola. ''Isso a gente já conseguiu,'' garante. Daqui para frente, segundo ele, é preciso conquistar mercados, capacitar equipes de venda e organizar melhor a distribuição do produto.

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