A pecuária leiteira nos Estados Unidos está mudando de região. A razão, segundo o professor Herbert Heady, da Universidade da Flórida, é a procura por áreas maiores, que possibilitem não só criar os animais a pasto, mas também fazer a produção de alimentos, como a alfafa e outras forragens e ter menores custos de produção. ‘‘Hoje, em todo o Oeste americano existem grandes propriedades leiteiras,’’ afirmou Heady.
Herbert Heady participou do Encontro de Pecuária Leiteira, promovido pelo curso de Veterinária da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Arapongas, na semana passada. O professor falou também na Universidade Estadual de Londrina para alunos e professores de Veterinária.
Preocupação ambiental A transferência das propriedades para o Oeste americano, de acordo com Herbert Heady, está acontecendo também com uma preocupação em instalar a atividade em áreas menos suscetíveis aos efeitos da poluição causada pelos grandes confinamentos leiteiros. ‘‘Uma das grandes preocupações dos pecuaristas americanos que criam animais confinados no Norte e Sudeste do EUA é o que fazer com os dejetos dos animais. No inverno, por exemplo, é proibido lançar esses resíduos na neve.’’
Para produzir leite na Flórida, por exemplo, além de um projeto para eliminação os dejetos, o produtor deve obter permissão também para usar a água. Os dejetos podem ser jogados na terra, na lavoura, mas numa densidade que permita que as plantas retirem e possam reter os nutrientes. Essa reciclagem é monitorada periodicamente, com análises de solo e água. A preocupação maior é com a poluição e com excesso de fósforo e nitratos.
Muitos produtores que se mudaram para a Flórida reclamam que os preços ou não cobrem os custos de produção ou que as margens de lucratividade têm sido mínimas. Mesmo assim preferem ficar ali do que viverem em outros Estados. O volume de comerciliazação maior acaba sendo vantajoso e, mesmo com custos de produção até maiores, as margens proporcionam sobrevivência na atividade. ‘‘Outra vantagem é a qualidade de vida melhor da região.’’
‘‘O custo de produção é mantido a sete chaves e o preço é mais ou menos estabilizado, feito com base nas regiões tradicionais na produção leiteira, como os estados de Minesota e Wisconsin, adicionado o frete, o que dá uma diferença de até R$ 0,11, mais ou menos, por litro. Tem muita gente perdendo dinheiro, mas também tem muita gente ganhando,’’comentou o professor Heady.
O Oeste americano, segundo o professor, apresenta também um clima propício para o rebanho holandês, 95% dos animais criados no País são da raça. Pecuaristas tradicionais de leite de Minesotta, Wisconsin, Pensilvania e Nova York, com a mudança de muitos produtores para o Oeste dos EUA estão perdendo em desempenho na produção de leite. ‘‘Hoje a Califórnia é o Estado onde se tem o maior índice de produção por vaca, passando Wisconsin que era o mais tradicional’’.
Na Flórida existem entre 650 e 700 vacas ordenhadas por fazenda, com médias de 7.300 quilos/vaca/ano/lactação. Para ter um rebanho com este número de vacas em lactação o produtor tem que manter um total de 1000 a 1.100 animais no rebanho. Um dos problemas é a falta de mão-de-obra confiável e disponível e o preço desse trabalho. A reclamação do preço do leite e da mão-de-obra vem acompanhada da reclamação do preço do alimento que será fornecido ao rebanho.
O produtor de leite nem sempre é agricultor. Nem todos produzem os alimentos do rebanho na propriedade. Os que produzem têm que ser eficientes na agricultura e no leite. Em função do alto preço do maquinário alguns preferem terceirizar a produção de silagem e feno, o que reduz margens de lucro.
O setor de leite não tem subsídios diretos como a agricultura, mas tem representação política, o que garante pelo menos um preço mínimo ao produtor. ‘‘A representação no Congresso é pequena mas o lobby é muito grande,’’ garantiu Heady.
Além disso, o professor destaca que os produtores são organizados, têm assessoria e adotam os mais diversos sistemas de produção com análise de riscos. Até o descarte de animais segue rígidas análises: 34% das vacas na Flórida são descartadas todo o ano. Uma fêmea fica na propriedade apenas por três lactações. Normalmente é descartada porque apresenta problemas reprodutivos, de cascos e pernas, doenças ou baixa na produção. Num rebanho leiteiro o índice de vacas em lactação é de 80%, 20% a mais do que num rebanho brasileiro de melhor índice de produção.

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