Norte Pioneiro quer frigorífico
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sábado, 24 de janeiro de 2004
Oswaldo Petrin<br>Reportagem Local 
Para o piscicultor Jefferson Osipi, de Bandeirantes, o Norte do Paraná vive uma situação ''peculiar'': enquanto no País há frigoríficos que precisam da matéria-prima, aqui temos produção com potencial para crescer muito e precisamos de frigoríficos.
''Temos uma cadeia produtiva já instalada - afirma Osipi, que é presidente da Associação dos Piscicultores de Tanque-Rede do Paraná e vice-gerente da Câmara Setorial de Piscicultura. Ele aponta as condições para ampliar a produção: produtores organizados em associação, fábricas de ração, laboratórios de pesquisa, assistência da Emater, estações de produção de alevinos com mapeamento do DNA da Tilápia e controle sanitário da Seab.
Osipi lidera um grupo de produtores do Norte Pioneiro, Norte e Noroeste, que está articulando a implantação de um frigorífico na região de Cornélio Procópio. Há várias propostas em discussão. A principípio, o grupo prioriza indústria que faça parceria com os produtores. ''Se podemos ter a nossa própria indústria é melhor'', resume.
A proposta de implantar frigorífico no Norte Pioneiro está tramitando em Brasília e faz parte da pauta do orçamento, garante Osipi. ''É possível que tenhamos para o próximo ano recursos e parcerias para implantar esse projeto'', previu.
O Norte do Paraná tem condições de viabilizar os dois sistemas de produção, o de tanques escavados - que só no Norte Pioneiro conta com 1.500 produtores - e o de tanques-rede, ou gaiolas flutuantes, com adensamento de peixes/m3 que se alimentam de ração extrusadas e utilizam águas de reservatórios de hidrelétricas.
Cerca de 95% da produção, hoje, vai para os pesque-pague que têm limitações. Na região muitos tanques escavados suspenderam suas atividades. ''Com frigorífico, podemos pensar no mercado externo'', diz Osipi.
Mercado externo - A produção mundial de pescados vem diminuindo a cada ano, devido à pesca predatória. No mercado interno as possibilidades de ampliar o consumo são amplas, como a inclusão do peixe na merenda escolar, otimização do mercado de subprodutos como farinha de peixe, peles, polpa e outros.
Para Osipi, no entanto, este é um momento político favorável a atividade, porque o presidente Lula criou a Secretaria Nacional da Aquicultura e Pesca que vai desenvolver o setor. Além disso, há apoio do governo do Estado e da deputada Selma Schones (PT-PR), coordenadora da Frente Parlamentar Defesa da Aquicultura e Pesca.
''Antes tínhamos problemas. Em governos anteriores o Ibama embargou a atividade no Paraná, enquanto no Estado de São Paulo, do outro lado do Rio Paranapanema, a mesma atividade foi subsidiada'' - lamenta Osipi. O que tivemos aqui nos últimos anos foram interdições e conflitos intermisterias que só prejudicaram os produtores paranaenses. Enquanto em outros Estados se criava peixe com apoio oficial, o Paraná, que foi o pioneiro na atividade, ficou impedido de produzir porque o Ibama embargou atividades por falta de licença ambiental - que ninguém possuía ou possui no Brasil para esta atividade -, pois era humanamente impossível de obtê-la''.


