A área de algodão da safra 2000-2001 em Santo Antônio da Platina (20 quilômetros ao sul de Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná) aumentou cinco vezes, de 250 para 1.350 ha. O número de produtores também aumentou, de 50 para 150. Segundo estimativas da Associação Platinense de Agricultores do Monte Real (Aplamore), a safra anterior chegou a 51,6 mil arrobas e a expectativa é que a próxima alcance cerca de 278 mil arrobas. Segundo o presidente da associação, Abel de Souza Melo, o aumento do plantio ‘‘demonstra o retorno dos produtores locais à cotonicultura’’.
Os agricultores que investiram na cotonicultura em Santo Antônio da Platina são pequenos proprietários que utilizam mão-de-obra familiar durante o manejo e exploram a cultura como alternativa de diversificação agrícola na propriedade. Melo explica que a vantagem do algodão, é que ele fixa o agricultor ao campo, gera empregos e garante um salário-mínimo para toda a família.
VariedadeO retorno dos produtores foi estimulado por uma variedade de semente do algodão que é mais produtiva em relação à que tradicionalmente era usada pelos cotonicultores e pela utilização da mão-de-obra familiar. O técnico agropecuário da Emater, Antônio Carlos Nadalete, disse que a semente Codetec 401 tem ciclos menores para formação de flores e maturação, respectivamente de 54 e 135 dias. O cultivo precoce, realizado em 4 meses, reduz a aplicação de defensivos e diminui a incidência de pragas.
Outra vantagem da semente é o porte e a qualidade da fibra do algodão. Nadalete explicou que a maçã do algodão fica posicionada para cima e que o tamanho da planta facilita a colheita e a aplicação de defensivos. ‘‘Observamos um maior rendimento de fibra no descaroçamento e maior resistência da maçã na planta. A mão-de-obra familiar aumentou a rentabilidade dos proprietários, porque reduziu a necessidade da contratação de trabalhadores rurais temporários que aumentavam o custo de produção.
Sobre a semente Codetec 401, o técnico da Emater disse que a produtividade também estimulou os produtores. Foram colhidas em média 500 arrobas de algodão por alqueire. Para produção de 500 arrobas é necessário um investimento de cerca de R$1, 9 mil e o retorno é de R$5 mil reais. Hoje, a arroba do algodão é comercializada a US$5-US$6. O investimento total dos produtores é previsto em 1,6 milhão de reais. Destes quase 8%, ou R$124 mil, são recursos do Pronafinho. O crédito do Banco do Brasil foi utilizado para o custeio da produção.
ProdutividadeO agricultor e intermediário na compra do algodão para algodoeira, Paulo Batista de Almeida, disse que sempre plantou algodão e que mantém há alguns anos uma área de 2,5 alqueires destinados à cotonicultura, mas pretende aumentar a área novamente. Ele lembrou que na década de 80 plantou até 6 alqueires, mas que a dificuldade de comercialização reduziu a área. ‘‘Para que a produção de algodão compense, o agricultor tem que obter uma boa produtividade. O suporte técnico da Emater e a qualidade da semente propiciaram isso na região’’, acrescentou.
O produtor Benedito Carneiro também plantava algodão na década de 80. Chegou a plantar 9 alqueires, mas o alto custo de produção diminuiu a área. Carneiro disse que na última safra plantou 1 alqueire e que nesta safra dobrou a área. ‘‘A tendência é que a utilização da semente Codetec 401 seja ampliada, porque a planta não quebra o galho e a forma em cone facilita a colheita’’, justifica. Em sua propriedade são quatro pessoas que colaboram no manejo da área de dois alqueires de algodão.
ParceriasMuitos produtores que não receberam financiamento pelo Banco do Brasil fizeram parcerias com empresários. O empresário fornece os insumos e o agricultor trabalha na lavoura. A medida beneficiou os agricultores e aumentou, ainda mais, a área plantada. A área utilizada para a cotonicultura recuperou espaços liberados pela cultura do milho na região.

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