Pinhalão - A safra de morangos começou esta semana no Norte Pioneiro. Os maiores produtores estão nos municípios de Pinhalão, Jaboti, Japira, Conselheiro Mairinck e Santana do Itararé, na região de Jacarezinho, responsável pela produção de 3,6 mil toneladas/ano, 20% da produção estadual.
Este ano em Pinhalão os agricultores adotaram novas técnicas de cultivo, em caráter experimental, como a estufa e a hidroponia para aumentar a qualidade e durabilidade dos produtos. Em Jaboti parcela dos agricultores iniciou a quarta safra de morango orgânico do município.
Os municípios de Pinhalão e Jaboti, respectivamente 58 e 42 hectares destinados ao cultivo do morango, concentram a produção regional. Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) em 2001 a área plantada de morango na região de Jacarezinho foi de 131 hectares. A expectativa dos técnicos é que o número seja mantido em 2002. A estimativa dos agricultores é de que serão comercializados no período da safra, entre maio e dezembro, 2 milhões de caixas da fruta.
Na região a cultura gera quase 3 mil empregos, diretos e indiretos, e promove uma movimentação financeira na ordem de R$ 4,2 milhões/ano. Na última safra a rentabilidade do produtor foi de 50% em relação ao valor comercializado. O investimento inicial para o produtor foi estimado entre R$ 30 a 40 mil/ano por hectare. O tipo do morango cultivado nos municípios é o Dover, em seguida, predominam o Campinas e o Camarosa.
As principais características do cultivo do morango na região são a agricultura familiar e a utilização de pequenas áreas de cultivo. No período da safra a cultura proporciona quatro colheitas. O atual método de cultivo utiliza canteiros em que as plantas são protegidas por lonas plásticas que cobrem o solo. Em um hectare, conforme o espaçamento utilizado entre as mudas, é possível cultivar de 50 a 80 mil pés de morango.
Novas técnicas - As novas técnicas utilizam sistemas de estufa, por meio de vasos e de hidroponia em tubos plásticos, e de túneis de plástico. A expectativa dos agricultores é que os três sistemas permitam a redução na incidência das doenças e o aumento da durabilidade do produto. Os métodos também facilitam o manejo e permitem o aumento no número de mudas na mesma área.
O sistema de estufa com cultivo em vasos utiliza irrigação por gotejamento e permite que em uma área destinada ao plantio de quatro mil pés sejam plantados dez mil pés. O método utiliza uma estufa com cerca de dois metros de altura por cinco de largura e aumenta a durabilidade do produto. O prazo para comercialização aumenta, em média, de três para cinco dias, com frutos mais maduros e de maior qualidade.
O produtor Flávio Alves Isidoro, em Pinhalão, optou pelo sistema de estufa com vasos. Sua expectativa é obter cerca e 7 mil quilos de morango na área. Ele está entusiasmado porque a técnica empregada permitiu que em um área que seriam cultivados 4 mil pés no modelo convencional estejam plantados 10 mil pés. Isidoro explica que foram investidos R$ 18 mil na construção da estufa e aquisição de mudas. ‘‘Optei pelo produto por causa do rendimento,’’ disse.
O sistema de estufa com cultivo em tubos de plástico utiliza lonas plásticas em um tubo com capacidade para 28 mudas. No interior são armazenadas água e casca de arroz para fixar a muda. O método permite que em uma área destinada a 900 pés sejam plantados 8 mil pés. O terceiro sistema prevê o método de túneis com lona.
Neste sistema o agricultor aumenta a qualidade e a resistência das frutas, mas não amplia o número de mudas na área. Esta técnica prevê a cobertura dos canteiros, com 1m de altura e 1,25 m de largura, com uma lona plástica apoiada em canos de PVC.
O produtor Jafett de Oliveira, em Pinhalão, optou, além do sistema convencional, pelo sistema de estufa, em túneis pequenos e em tubos de plástico. Ele plantou 38 mil mudas para avaliar os resultados durante a safra e definir um sistema padrão em sua propriedade. Ele adianta que os métodos com estufa devem assegurar mais segurança ao cultivo. Oliveira disse que as modificações irão aumentar a durabilidade, reduzir os defensivos e facilitar a comercialização.
O agricultor Valdemar Furquim trabalha com a família, composta por cinco pessoas, no sistema de parceria em uma propriedade em Pinhalão. Neste método Furquim é responsável pelo manejo e obtém 25% da safra e o proprietário custeia a produção e recebe o restante da safra. Ele disse que está satisfeito com os resultados do morango. O agricultor explica que, apesar das perdas, obtêm rendimentos. ‘‘Estou contente porque a cultura, ao contrário das convencionais, proporciona lucros também aos responsáveis pelo manejo’’, disse.

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