Norte já é o principal produtor
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Silvana Leão 
Arquivo/FRA aveia utiliza as mesmas máquinas das culturas de verão, facilitando o trabalho do produtorChances maiores de rentabilidade e melhoria do nível de fertilidade do solo. Estas são algumas das vantagens que têm transformado a aveia branca na principal cultura de inverno da região de Mauá da Serra, no Norte do Estado. O município, juntamente com as localidades vizinhas, já se tornou o maior produtor do cereal no Paraná, com aproximadamente 25 mil hectares plantados na última safra.
A tendência de plantio da aveia começou de 10 anos para cá, quando alguns produtores perceberam que a aveia podia oferecer mais lucros que o trigo, além de ser facilmente comercializada na região. A SL Cereais e Alimentos, indústria de processamento do grão para ração animal e alimentação humana, absorve toda a produção local, garantindo a comercialização da safra pelos produtores.
O pesquisador José Carlos de Oliveira, gerente do Projeto Aveia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), explica que o cereal faz uma boa cobertura de solo, que, aliada ao seu efeito alelopático, impede a invasão excessiva de ervas daninhas na safra seguinte. Isso permite a redução do uso de herbicidas, afirma Oliveira, lembrando que a aveia utiliza praticamente a mesma maquinaria da cultura de verão (soja), facilitando o trabalho por parte do agricultor.
Campos de pesquisaO plantio do grão na região de Mauá tem se mostrado tão atraente que o Iapar instalou, no ano passado, unidades demonstrativas para observar o comportamento de novas cultivares de aveia. A mais plantada pelos produtores locais é a precoce IAC 7, que ocupa mais de 90% da área cultivada. O objetivo do Instituto Agronômico é mostrar aos agricultores outras opções de materiais de plantio e técnicas de cultivo.
Embora a IAC 7 tenha como principais características a precocidade, a qualidade do grão para a indústria e a produtividade, trata-se de uma cultivar suscetível às doenças, principalmente à ferrugem-da-folha, diz José Carlos de Oliveira. Junto com a IAC 7, o Iapar pesquisou outras três cultivares comerciais: a UPF 16, a UFRGS 17 e a UFRGS 14. Nas unidades demonstrativas, instaladas em grandes áreas plantadas com semeadora convencional, foram pesquisadas ainda as melhores épocas de cultivo e os efeitos do tratamento com fungicidas e da adubação nitrogenada em cobertura.
As áreas destinadas à pesquisa foram plantadas em três épocas (meados de março, de abril e de maio). De acordo com o pesquisador, as duas primeiras épocas proporcionaram rendimentos mais elevados, acima de 3 mil quilos por hectare, quando comparados com os obtidos para a terceira época (meados de maio). A causa mais provável dessa queda de produtividade é a baixa precipitação pluviométrica, verificada principalmente no mês de julho. A cultivar UFRGS 14 foi a menos prejudicada, possivelmente por ser de ciclo um pouco mais tardio que as demais, observa Oliveira.
AdubaçãoA adubação nitrogenada em cobertura praticamente não influenciou no rendimento das cultivares de aveia. Em alguns casos, como naqueles onde não foram efetuados tratamentos com fungicida, a aplicação de nitrogênio em cobertura provocou uma ligeira queda no rendimento, provavelmente por ter causado maiores índices de acamamento nas plantas doentes.
A pesquisa do Iapar mostrou também que o tratamento com fungicida é importante para que as cultivares expressem seus potenciais de produção: quando tratadas, as sementes apresentaram rendimento em torno de 3 mil quilos por hectare, enquanto nas sem tratamento esses rendimentos caíram, chegando a menos de mil quilos por hectare na cultivar IAC 7. Apenas a cultivar UPF 16 apresentou boa produtividade mesmo sem tratamento com fungicida, afirma José Carlos de Oliveira.
Pelos resultados obtidos nas unidades demonstrativas, ficou claro que a região de Mauá da Serra tem alto potencial para a produção de aveia, semelhante ao que se verifica no Sul do Paraná, compara o pesquisador. Porém, para que os riscos de prejuízos sejam reduzidos, ele alerta para a necessidade do produtor escolher a variedade mais apropriada, observar a época adequada para semeadura e fazer os tratos culturais necessários, prevenindo-se, principalmente, para o controle de doenças no momento correto.
DemandaA SL Cereais e Alimentos, instalada há 10 anos em Mauá da Serra, tem capacidade para processar 4 mil toneladas de aveia por mês. Segundo um dos proprietários, Sérgio Guizelini, no ano passado a produção da região girou em torno de 30 mil toneladas, enquanto a produção de todo o Norte do Estado não passou de 40 mil toneladas em toda a safra. Seria preciso um volume de aproximadamente 100 mil toneladas para suprir a necessidade do mercado regional, informa Guizelini.
Atualmente a indústria produz aveia descascada, em flocos e em forma de farinha, destinados à alimentação humana, além da ração para consumo animal. Esta diversidade na produção permite que tanto a aveia de qualidade superior como a de qualidade inferior sejam recebidas, aumentando as chances de comercialização pelos agricultores.
Um dos produtores mais antigos da região, Dorival Cava, ressalta os bons resultados obtidos pela aveia em rotação com as culturas de verão, e ensina que o grão não pode ser semeado na mesma área mais que três anos consecutivos. Plantando o cereal há oito anos, Cava revela que mantém, no mínimo, 170 hectares - metade da área total - ocupados pela aveia no inverno. O resto é destinado à rotação com trigo e triticale.
Como a maioria dos outros produtores, Dorival Cava passou a plantar aveia branca motivado pelos problemas enfrentados pelo trigo, como falta de preço, garantias de comercialização e o aparecimento na região de pragas de difícil controle. No começo, as opções de inverno que tínhamos eram o nabo forrageiro e o tremoço, que apesar das vantagens, não dão retorno econômico imediato. Depois, com a instalação da indústria, a aveia se tornou uma opção mais rentável, relata.
Outro produtor do município, Pedro Takahashi, insistiu no trigo por mais tempo, mas há três anos também sucumbiu ao plantio da aveia branca. É a opção que a gente tem por aqui, resume. Assim que terminar a colheita da safra de verão (milho e soja), Takahashi pretende semear 500 hectares com o cereal.


