Melhorar a qualidade dos alimentos e ganhar mercado, aumentar a produção de grãos, incrementar a renda da propriedade. Estes são alguns dos motivos que levam os agricultores a participar do Programa Empreendedor Rural. E foram os pontos fortes apresentados pelos três concorrentes da região norte que se destacaram no ''Concurso Melhores Projetos do Programa Empreendedor Rural''. O concurso avaliou 326 idéias de todo o Estado.
Criado em agosto de 2003 por uma equipe de doutores em agricultura e educação, o programa desenvolve-se em 13 encontros semanais, que tratam da importância do associativismo, do cooperativismo e do comportamento empreendedor. Os participantes, individualmente ou em grupo, são estimulados e orientados a criar um projeto de melhoria e a implantar ações em sua propriedade ou no setor, otimizando os recursos disponíveis.
''O curso é gratuito e destinado a produtores ou trabalhadores rurais com mais de 18 anos e que tenham o segundo grau completo'', explicou Elcio Chagas, coordenador operacional do Programa Empreendedor Rural. Promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em parceria com o Sebrae, o programa certificou 1,5 mil pessoas em 2003. Neste semestre, 156 municípios formaram turmas, somando 3,5 mil participantes. Até o final de 2004, a expectativa é que mais de 7,5 mil pessoas sejam treinadas em todo o Paraná.
Os produtores Luiz Henrique Fernandes e Sônia Maria Ferreira Baise, de Porecatu, foram formandos nesta última edição do programa e venceram o concurso estadual de melhores projetos com o tema Estação Per-Catu: Fazenda Valparaiso-Incremento na Produção de Grãos.
Segundo o engenheiro agrônomo Fernandes, foi a participação no programa que o incentivou a criar o projeto. ''Antes eu pensava como a maioria dos produtores, que são imediatistas. Hoje, depois do que aprendi durante o Empreendedor Rural, sei que não é possível ser assim, que o podutor precisa ter um objetivo'', disse.
Mudanças O projeto Estação Per-Catu prevê o aumento da área de cultivo de grãos na Fazenda Valparaíso, com a utilização de um espaço que antes era destindo à pecuária. A mudança para o sistema de plantio direto na palha também é uma inovação.
Atualmente, 520 hectares são destinados à produção de soja, milho e trigo. Com a implantação do projeto, a área passará a ser de 605 ha e irá incorporar o plantio de aveia preta, que servirá de cobertura para o solo. ''A formação de palhadas será responsável pela reciclagem do solo, que terá muito mais nutrientes'', declarou o agrônomo.
De acordo com Fernandes, o novo sistema produtivo requer a rotação de culturas, que terá o milho como base. Na programação do produtor, a rotação deverá se repetir num ciclo de seis anos. No verão, um sexto da área será destinado ao cultivo do milho e o restante terá soja. No inverno, um terço da área receberá milho safrinha, um terço será plantado com trigo e um terço com aveia preta.
''A sistematização da área de plantio já foi feita. No novo sistema, a aveia servirá de cobertura do solo, sendo incorporada à terra ainda durante a floração. Apenas seis ha serão cultivados para a produção de sementes para a próxima safra'', afirmou o produtor, ressaltando que toda a fazenda está adaptada à legislação ambiental, respeitando a reserva legal e a preservação permanente.
O custo previsto para a implantação do projeto é de R$ 35 mil, ''um investimento inicial baixo se comparado ao ganho esperado'', calculou Fernandes.
Sustentabilidade A Fazenda Valparaíso possui 1.371,75 ha onde são cultivados grãos, cana e café e criadas cerca de 150 cabeças de gado nelore. Para Fernandes, motivar os funcionários é a melhor forma de garantir a implantação do projeto e a sustentabilidade do agronegócio.
''Durante o programa aprendemos a nos relacionar de forma diferente com a família, amigos e no trabalho. Descobrimos que em uma propriedade rural, tudo tem de passar pelo empregado e por isso, é preciso manter um ótimo relacionamento com ele'', ressaltou o produtor.

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