Apesar da demanda por mudas de hortaliças ter crescido no Norte do Paraná, ainda são poucos os viveiros que cumprem as normas do Mapa e oferecem qualidade e credibilidade aos produtores. Por isso, um movimento natural é que esses agricultores busquem as mudas no interior de São Paulo, beneficiando empresas do estado vizinho.

Uma empresa paulista que se tornou uma potência no mercado de mudas e que possui muitos clientes do Paraná é a Hidroceres, de Santa Cruz do Rio Pardo. Com área de estufas distribuídas por 22 mil metros quadrados, a unidade produz em média 60 mil bandejas por mês, o que deve totalizar até o final do ano o incrível número de 50 milhões de mudas.

O proprietário da Hidroceres, Oliveiro Basseto Júnior, conta que ingressou no ramo de mudas por acaso. Ele iniciou como produtor de pimentão e, como não havia fornecedores de mudas naquela época, iniciou a produção e até a distribuição para produtores vizinhos. "Certa vez, recebi a visita de um professor da Unesp, que viu a produção de mudas e nos incentivou a trabalhar nesse ramo. Por meio dele, conhecemos um viveiro na região de Campinas que dominava a técnica e a produção de mudas em bandeja. Assim, ampliamos o viveiro e buscamos o mercado".

Para ele, a comercialização ganhou fôlego a partir do momento que os produtores perceberam como era caro produzir as próprias mudas, já que o alto valor agregado nas sementes híbridas não permite que o agricultor vacile. "Outro fator, talvez o principal deles, é a questão da sanidade: adquirir uma muda produzida num ambiente controlado, livre de insetos e sem risco de doenças. O produtor enxerga que é muito mais interessante iniciar o ciclo numa fase mais adiantada no campo, sem riscos de perdas e contaminações".

E não pense que mudas não precisam de tecnologia. Desde 1996, Júnior viaja o mundo com a equipe da Hidroceres atrás de novidades que facilitem a vida do produtor. Ele já esteve em países como Holanda, Israel, EUA, México, França, entre outros. "Em 2007, fomos para Almeria, na Espanha, onde fiquei na propriedade de um produtor de tomate com o objetivo de melhorar nosso processo de enxertia em tomates", comenta o empresário.

Aliás, o trabalho de enxertia já representa 10% da produção anual de mudas da Hidroceres, um montante de cinco milhões de unidades. Ele explica que na Europa 70% das cultivares de tomate, pepino e pimentão (variedades que a empresa mais comercializa por aqui) são enxertadas. No Japão, o número é acima de 90%. "Há muitos produtores tecnificados que procuram resistência contra doenças, além da produtividade, qualidade de frutos e longevidade, tudo na mesma planta".

Para o ano que vem, a empresa aposta numa nova tecnologia que deve chamar a atenção dos produtores: o "mudão". Na verdade, a ideia é de comercialização de uma muda maior, que fique no viveiro o dobro de tempo, até 60 dias. Dessa forma, a planta vai chegar ao campo emitindo sua primeira flor e preparada para produzir. "Costumo brincar que não vamos mais enviar a criança na frauda para o produtor, e sim um molecão barbado. Com isso, diminuímos o risco dos clientes, já que a entrada de viroses em uma planta é nos primeiros 30 dias. A muda ficando conosco está protegida, e a probabilidade de o produtor lidar com uma planta saudável é muito maior", completa ele. (V.L.)

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