O mercado de Londrina e região terá maçãs frescas, recém-colhidas, nas festas de final de ano. Produtores que acreditaram e investiram na cultura começaram, esta semana, a colheita dos primeiros frutos. É o caso de Eloy Muller. Na propriedade de 12 hectares, no Distrito da Warta (zona norte de Londrina), ele destinou uma área de oito mil metros quadrados para o cultivo da maçã.
Esta é a primeira safra comercial e, por isso, a expectativa de produção é pequena. Apesar da boa carga, o porte das árvores também é pequeno. ''Esperamos colher cerca de 8 toneladas de maçãs'', conta.
Mas, a grande novidade é a entrada do Norte do Estado numa cultura típica de regiões de clima mais ameno, como o Sul do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A variedade escolhida, de nome bastante sugestivo, é a Eva, que segundo Muller, se adapta bem, ao clima da região.
Além do produtor do Distrito da Warta, a maçã é cultivada em uma propriedade em Cambé (13 km a oeste de Londrina), e por grupo de produtores na região de Assaí (36 km a leste de Londrina). O plantio é coordenado pela Cooperativa Sul Brasil com a consultoria de um técnico vindo de São Paulo (SP).
Megumi Uchigoshi, responsável pela cooperativa em Londrina, diz que a maçã foi trazida para o norte do Estado através de produtores de Palmas. Há quatro anos ela é ofertada no mercado da região. ''No primeiro ano ela foi vendida como se fosse da variedade gala'', revela.
O executivo destaca que a maçã Eva é uma fruta precoce, a colheita se concentra nos meses de dezembro e janeiro. As demais variedades são colhidas a partir de fevereiro. ''Oferecemos frutas frescas quando as maçãs disponíveis no mercado são provenientes de câmaras frias, guardadas desde o início do ano'', comemora.
Eloy Muller admite que ainda não tem domínio sobre o manejo da cultura, mas está satisfeito com os resultados. Na adubação ele utiliza tanto a compostagem orgânica (esterco animal) como formulados químicos e complementos foliares. No controle de pragas e doenças ele diz que prioriza o uso de produtos fisiológicos feitos a base de enxofre.
A produção de frutas por árvore é excelente. ''Fizemos três etapas de raleio para permitir o bom desenvolvimento das maçãs'', destaca. Mesmo assim na colheita ainda será necessário uma classificação. ''Os frutos menores serão vendidos como mercadoria de sacolão'', diz.
Para a comercialização Muller pretende acertar as vendas com supermercados da região. A cooperativa, segundo Uchigoshi, possui parcerias de comercialização com três empresas da capital paulista com capacidade de absorção da maçã produzida na região.
O produtor já possui experiência no cultivo de outras frutas como uva, morango, ameixa, framboesa. Para agregar maior valor à produção, com as uvas ele optou pela fabricação de vinhos artesanais. E, não será diferente com a maçã, onde ele já ensaia a produção de vinagre, suco e licor. ''É preciso aproveitar também as frutas boas mas sem valor comercial'', afirma.

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