CupuaçuO pesquisador Paulo Guilherme e os primeiros frutos de cupuaçu produzidos no IaparA pesquisa ainda não está terminada, mas na primavera começaram a nascer os primeiros frutos de cupuaçu (Theobroma grandiflorum), plantado há quatro anos, para experimentação, na sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Londrina. Parente do cacau, o cupuaçu produz um fruto que o pesquisaador Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro considera o mais saboroso da Amazônia. O primeiro resultado é positivo e se espera que as plantas desenvolvam-se melhor no Noroeste do Estado, onde já se produz coco-da-bahia (Querência do Norte e municípios vizinhos), planta também exótica.
Além do coco, existem naquela região pequenas plantações de seringueiras e em Paranapoema, na microrregião de Maringá, a Cia. de Terras Norte do Paraná tem plantação comercial de mil hectares de seringueira. Esta espécie, assim como o cupuaçu, é originária da Amazônia.
Caju é outra fruta tropical que está sendo pesquisada no Paraná
ViabilidadeResponsável pelo experimento, o pesquisador Paulo Guilherme acredita na viabilidade do cupuaçu no Paraná, principalmente no Noroeste, e se for associado a outras árvores. Planta de sub-bosque, a Theobroma grandiflorum precisa de sombra. O técnico já observou que o único fator limitante do cupuaçu, neste Estado, é a geada. Por isto ele conclui que, por ser mais quente, o Noroeste é a região mais apropriada do Estado, para um cultivo comercial.
O cupuaçu nasce em toda a Amazônia, porém sua maior concentração é no Sul do Pará. Ele necessita de calor, umidade, sombreamento. O material que está dando os primeiros frutos no Iapar é filho de árvores que outro pesquisador da instituição, Jomar da Paz Pereira, plantara há mais tempo, porém sem ter a pesquisa como meta. Mais tarde Paulo Guilherme também trouxe algumas sementes do Pará.
Da mesma família do cacau (esterculiáceas), em espanhol o cupuaçu é chamado cacau blanco, porque seus caroços dão um ‘‘chocolate’’ branco. A Theobroma grandiflorum começa a produzir em escala comercial por volta dos sete anos. No Iapar, Paulo Guilherme tem vários pés, que estão da altura de um cafeeiro de tamanho médio. Na mata a árvore pode chegar a 18 metros de altura.
Dorico da SilvaNo Iapar, árvores novas de baru, madeira dura que substitui a aroeira
Paulo Guilherme optou pelo plantio em condições semelhantes às que o cupuaçu tem na Amazônia, onde, como o cacau, recebe proteção de mata. ‘‘Pensamos numa mata de proteção, que nem precisa ser fechada nem completamente densa’’, diz o pesquisador. Ele acrescenta que a vantagem é a planta ficar protegida do sol direto e ao mesmo tempo protegida de geada - ‘‘ as folhas da planta são finas e muitos sensíveis à geada’’.
Este é o único fator limitante considerado até agora. Não ocorreram aqui problemas fitossanitários. porque a seleção das sementes foi cuidadosa, não se registrando presença de fungos. Um fungo, o Crinipeli superniciosa, é o causador da ‘‘vassoura-de-bruxa’’, doença do cacaueiro que pode também atacar o cupuaçu. A ‘‘vassoura-de-bruxa’’ está inviabilizando a cacauicultura na Amazônia e na Bahia. O fungo provoca a seca de ramos do cacaueiro, e pode ser controlado através de poda e aplicação de fungicida cúprico. Há sempre problemas no controle, que não é fácil. Porém, não está ocorrendo no cupuaçu. Mesmo que ocorra, as lesões nessa planta são
menos graves do que no cacau.
Além disso, o clima no Norte do Paraná é desfavorável ao fungo, que prefere ambientes mais quente e úmidos. A intensidade de chuvas na região de Londrina, lembra o pesquisador, é quase a metade dos índices registrados na região de origem da planta, onde costuma chover 3 mil mm por ano. Nesta região o índice cai para 1500-1700 mm/ano.
AgroflorestaUm sistema agroflorestal é o que Paulo Guilherme imagina para o cupuaçu no Norte do Paraná. ‘‘Existe possibilidade de combinar a produção do cupuaçu como estrato arbóreo de uma cultura principal. Quando se quer um sistema agroflorestal, sempre se tem dificuldade em fazer estrato inferior’’, explica, acrescentando que as espécies que vão bem na sombra são poucas. Isto limita a tecnologia da agrofloresta, pois toda pesquisa sempre foi dirigida a plantas de alta absorção de radiação solar. Assim, o cupuaçu ‘‘cai como uma luva’’. A idéia é ocupar um espaço que tem limitação, com uma planta com ‘‘potencial econômico fantástico’’.
Mesmo acreditando na possibilidade do cupuaçu nesta região, Paulo Guilherme ressalva que ainda não recomendaria essa espécie amazônica como uma cultura. ‘‘Precisamos confirmar que a cultura tem viabilidade de produzir aqui, no Norte do Estado, em condição de sub-bosque, em situação mais ou menos marginal em relação a outras culturas, e provavelmente adequada para o arenito’’, justifica. Em Tomé Açu, no Pará, Paulo Guilherme viu japoneses usando maracujá para sombrear o cupuaçu, que se foi tornando tolerante ao pleno sol.
Quando o Iapar começou a trabalhar com frutiferas tropicais, o objetivo era oferecer mais fontes de renda ao carente Litoral. ‘‘Mas, como o solo do Litoral é muito ruim, e como todo o Vale do Paranapanema é favorável, em clima e solo, resolvemos fazer experiências aqui também’’, acrescenta o pesquisador. Ele sugere que o cupuaçu ‘‘pode ser até sub-bosque da seringueira, que está fora da região de alta umidade e tem produtividde alta...’’. Baseando-se no que acontece com a seringueira, ele acredita que o cupuaçu também dará bom resultado no Norte do Paraná.
TecnologiaO espaçamento recomendado pelo pesquisador do Iapar para o cupuaçu é 8 x 8 metros, o que dá 179 plantas por hectare. A produção esperada é de 8 mil kg de frutos por hectare, correspondentes a 2 mil kg de polpa-hectare. Mas, esta é uma estimativa de produção máxima por ano.
O cupuazeiro produz durante cerca de 40 anos, e por volta dos 8 ou 12 anos a produtividade estabiliza-se, quando alcança 40 frutos por ano. Em solos fracos a produção média é de 12 frutos ao ano, distribuídos no período de outubro a maio e picos em dezembro, janeiro e fevereiro. ‘‘Então, nossas florada está coincidindo com o que ocorre na Amazônia’’, observa o pesquisador.
Para a nutrição de mudas de cupuaçu recomenda-se aplicar 70 gr por cova, da fórmula (NPK) 10-28-20 no primeiro ano; 100 gr-cova no segundo e 150 gr-cova no terceiro ano.
A polpa do cupuaçu é usada em sucos, refrescos e doces, porém a que se acha nos mercados do Paraná ‘‘é muito cara’’. Paulo Guilherme prevê que, se tivesse produção no Estado, ela seria consumida toda aqui mesmo e ainda sobraria para abastecer São Paulo. O quilo de polpa é vendido a R$ 8,00, para o comércio, e só existe uma distribuidora na região.
Além da polpa, a semente despolpada (em torno de 200 kg-ha) pode multiplicar por quatro o valor do fruto, porque dela se faz um chocolate branco. Cada fruto pesa em média 1,5 kg e cada planta produz cerca de 30 ou mais frutos, quando em plena produção. Cada fruto tem em média 20-30 sementes, das quais faz-se o chocolate.
Outras plantas tropicais estão sendo experimentadas no Iapar, no Litoral e em Londrina. Além do cupuaçu, Paulo Guilherme está pesquisando, por exemplo, o caju e o baru. Esta planta dá uma madeira dura que pode substituir a aroeira. Os cajueiros também estão produzindo, o que indica a possibilidade de mais uma frutífera rendosa nos pomares paranaenses.

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