O ataque intenso das pombas amargosas nas lavouras de girassol em 2005, forçou os agricultores da região de Maringá a desistirem da cultura. A área de 1,4 mil hectares plantados em 2005 foi reduzida para praticamente zero, de acordo com números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
  Com medo de ver os lucros levados pelas aves, os produtores optaram por culturas mais tradicionais como o milho safrinha, cuja área aumentou de 108 mil hectares para os 128 mil ha plantados nessa safra.
  O cultivo do girassol foi incentivado no ano passado graças a uma parceria da Cocamar com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). O óleo produzido na região seria usado na pesquisa do biodiesel. A planta se adaptou bem na região e foi considerada uma excelente opção para cultura de inverno. No entanto, semanas antes da colheita, o ataque das pombas amargosas inviabilizou toda safra.
  O engenheiro agrônomo do Deral de Maringá,


William Meneguel, lembra que as expectativas apontavam para uma boa produção. Porém, não foi possível tirar uma estimativa, já que o ataque das aves prejudicou mais de 70% da safra. ‘‘Em grande parte das lavouras as pombos comeram toda a safra. Não tivemos condições de levantar números’’, revela.
  Ainda segundo Meneguel, o aumento das áreas de cana-de-açúcar na região contribuiu para a proliferação dessas aves. Elas usam os canaviais para se reproduzir e nos últimos cinco anos vêm

causando prejuízos também em outras lavouras. ‘‘A população de pombas aumentou muito e está se tornando um problema sério na região’’, afirma o agrônomo.
  A procura por sementes de girassol, como informa a Cocamar, foi praticamente zero. A falta de produção fez com que a parceria com o Tecpar fosse adiada. O ataque das pombas chegou até o Conselho Municipal do Meio Ambiente de Maringá (Comdema), que está debatendo a possibilidade de liberar o abate das aves com armas de fogo. O assunto está causando polêmica entre ambientalistas e agricultores.
  No ano passado, alguns agricultores chegaram a por veneno nas plantações para tentar controlar o ataque. Para o Comdema a prática é perigosa porque pode matar outras espécies de aves. No mês de maio, o controle dessas aves volta a ser discutido na reunião do
conselho.

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