Seja no cruzamento industrial para produção de carne, ou na criação de animais puros para obter touros e matrizes destinados a reprodução e melhoramento genético, os criadores de bovinos da região de Maringá, no Noroeste do Estado, estão mudando o perfil da pecuária naquela região.
A opinião é do zootecnista da Sociedade Rural de Maringá (SRM), Jucival Pereira de Sá. ‘‘Criadores estão aprimorando os cruzamentos e têm apostado no melhoramento genético de raças de corte. A prova disso é o aumento a cada ano da participação de bovinos na Expoingᒒ, afirma o zootecnista.
A Expoingá 2001 foi aberta na última quarta-feira, dia 9, e vai até o próximo domingo, dia 20. Na programação de leilões, segundo a SRM, que organiza a feira, deverão estar à disposição mais de seis mil animais, entre puros e cruzados. Só de reprodutores, de diversas raças bovinas, o zootecnista da SRM calcula que deverão ser ofertadas 150 cabeças.
Mercado aquecido De acordo com o zootecnista, os criadores que estarão vendendo touros na feira têm uma expectativa de conseguir preços médios entre R$ 2 mil a R$ 2.500. ‘‘Animais top, de ponta, deverão ser comercializados com médias bem maiores, já que o mercado está bastante aquecido.’’
Os preços praticados nos leilões de Londrina, em abril, durante a feira agropecuária e, na última semana em Uberaba (MG), sede da Expozebu 2001, mostram, segundo o criador de simental, Ricardo Pulsatto, o bom momento da pecuária.
Pulsatto estará vendendo animais durante a Expoingá. Ele, junto com o pai Wilson Pulsatto, são uns dos destaques na criação de simental hoje no Paraná. Além do nelore e simental, criados no Paraná e no Mato Grosso do Sul, os Pulsatto têm uma central de transferência de embriões em Santa Fé (47 km ao norte de Maringá) que atende não só criadores de gado simental, mas também de outras raças, utilizando as fêmeas meio-sangue simental com nelore como barriga de aluguel.
Apostando na genética O criador de gado nelore padrão Antônio Donizetti Primon, de Maringá, acredita que a Expoingá é uma boa oportunidade para divulgar sua produção de touros e matrizes. Ele faz a venda de genética, comercializando touros para cobrir vacas européias e fêmeas puras nelore para formação de novos plantéis da raça.
Um dos poucos criadores de nelore da região, Primon tem vendido touros e matrizes em todo o Paraná, depois que iniciou a criação há 3 anos. A formação do seu plantel foi baseada em animais de criatórios com o da família Garcia Cid, de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), do pioneiro da raça nelore no País Celso Garcia Cid. Outros animais foram comprados do criador Jaime Miranda, do interior paulista, criatório de onde saíram reprodutores como ‘‘Gim de Garça’’, um dos melhores touros da raça nelore.
Resultados na cruza No cruzamento feito pelos criadores da região de Maringá, segundo Jucival de Sá, vários pecuaristas estão usando touros europeus de raças como simental, charolês, blonde d’aquitaine, entre outras, para cobrir vacas nelore.
O manejo, segundo o zootecnista, é feito para reduzir a idade de abate dos animais e aumentar a qualidade, o rendimento de carcaça e, consequentemente, a qualidade da carne. ‘‘Por isso, a expectativa é de conseguir bons preços nos leilões de reprodutores europeus da Expoingá,’’ prevê Jucival.
Segundo o zootecnista os criadores da região têm feito também o tricross, um terceiro cruzamento, voltando o sangue indiano nos animais meio-sangue. Usam primeiro um touro europeu com uma fêmea indiana e, nos filhos desse cruzamento, voltam o sangue indiano para novo cruzamento. Esse manejo tem ampliado o mercado, segundo o técnico, ‘‘não só para touros europeus, mas também para touros indianos. Além do nelore, aumentou o interesse por machos das raças tabapuã e guzerá.’’
No cruzamento, os criadores da região de Maringá têm conseguido abater animais, criados somente a pasto, entre 18 e 24 meses com 16 arrobas; ‘‘enquanto que o gado comum não é abatido com esse peso antes dos três anos de idade,’’ garante Juscival de Sá. O gado cruzado em confinamento, segundo o zootecnista, é abatido por volta dos 15 ou 16 meses.
A vantagem das fêmeas cruzadas, segundo o zootecnista, é que por serem de raças maternais (simental, pardo suíço corte, angus, entre outras), podem desmamar bezerros mais pesados, com 260 a 280 quilos; o que melhora o desenvolvimento dos bezerros na produção de carne. Hoje, segundo Juscival de Sá, o mercado de bezerros, está em alta, com um animal meio-sangue ou 3/4 no cruzamento entre europeus e indianos, com preços entre R$ 380 e R$ 400.

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