E estão se dando bem. As primeiras lavouras renderam em média l20 sacas por alqueire, a mesma produtividade obtida em regiões de terra roxa. Agora, um programa de reforma de pastagens desenvolvido pela Prefeitura de Umuarama quer expandir o cultivo de soja na região através de bolsas de arrendamento de terras. ‘‘Nossa intenção é mudar o perfil econômico de Umuarama, adotando a soja como a principal alternativa para integrar agricultura e pecuária, gerar renda e recuperar o solo empobrecido pela exploração exaustiva das pastagens’’, diz o engenheiro agrônomo e secretário municipal da Agricultura, Edson Assis Bastos.
Empolgados com os resultados da cultura em algumas propriedades, os arrendatários optaram por plantar soja na primeira área arrendada através do Programa de Arrendamento de Terras (Pater) da Prefeitura de Umuarama. É a primeira experiência com cultivo de soja no inverno, na região. Apesar da seca, a lavoura está bonita e deve ser colhida em 30 a 35 dias. ‘‘A previsão inicial era colher pelo menos 80 sacas por alqueire, mas devido à estiagem devemos ter uma quebra, que ainda não dá para calcular’’, explica o agrônomo.
InspiraçãoOs produtores de soja se inspiraram na reviravolta econômica ocorrida em Uberaba, município mineiro com solo semelhante ao de Umuarama: graças a um programa de arrendamento de terras, em menos de 10 anos Uberaba trocou o predomínio da pecuária pela integração com a soja. Hoje, diz Bastos, 70% das terras agricultáveis daquele município são ocupadas por soja, enquanto o boi ocupa os outros 30%.
Embora a pecuária ocupe, em Uberaba, menos espaço que há alguns anos, está mais produtiva devido à recuperação das pastagens, proporcionada pelo rodízio de culturas. Os produtores preferiram a soja por ser mais rentável. Na região de Umuarama, a pecuária ocupa áreas cada vez maiores, enquanto a produtividade continua caindo. Estima-se que o gado ocupe hoje mais de 80% das terras agricultáveis do município.
Segundo Bastos, são cerca 1,3 milhão de hectares com pastos. Destes, mais de um milhão estão completamente degradados, e a maioria das áreas não comporta mais do que um animal por hectare. O rebanho não chega a 1,5 milhão de cabeças. Com solo fertil e manejo adequado, poder-se-ia obter uma lotação de até quatro cabeças por hectare. ‘‘A situação é grave. Se os pecuaristas não começarem imediatamente a reformar pastagens, acabarão tendo que abandonar a atividade’’, alerta o secretário de Agricultura.
Pantio diretoTécnica que chegou a se experimentada na região, o plantio direto em pastagens é inviável no primeiro ano, garante o agrônomo Edson Bastos. ‘‘O plantio direto deu certo em algumas regiões de Mato Grosso do Sul, onde o solo é mais firme e a topografia plana. Na nossa região, não funciona’’, avisa. Segundo o agrônomo, é preciso alternar técnicas do plantio direto com o sistema convencional, no primeiro plantio. A dessecação das pastagens com herbicida deve ser mantida. Porém, o plantio no solo como está dificulta a colheita mecânica das lavouras depois.
Segundo Bastos, é preciso revolver, nivelar o solo e retirar todos os obstáculos que poderão atrapalhar a colheita mecânica das lavouras. O principal problema são os sulcos formados pela passagem constante do gado no mesmo lugar. Não eliminados, esses sulcos impedirão a passagem das colheitadeiras, além de originar focos de erosão. Nas áreas arrendadas por prazos médios de três anos serão plantadas três lavouras de verão e três de inverno. No inverno serão cultivadas lavouras de aveia e milheto, que servirão de cobertura para o solo e produção de palhada para o plantio direto.

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