Noroeste planta tangerina
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sexta-feira, 19 de março de 2004
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Melhorar a renda do pequeno produtor através da fruticultura como mais uma opção de diversificação. Este é o objetivo do Projeto Tangerina que vem sendo desenvolvido em municípios do Noroeste do Estado.
A iniciativa da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá, visa atender aos produtores familiares que moram na propriedade ou que sobrevivam dela, incentivando-os ao plantio da fruta.
O coordenador técnico do projeto Adenir Volpato, diz que a idéia está sendo aplicada desde agosto do ano passado. Os produtores envolvidos destinam apenas um hectare da propriedade para o cultivo da fruta.
''Esperamos que a experiência e a lucratividade adquiridas estimulem esses produtores a ampliarem a área com a tangerina ou outras frutas tornando a região um pólo de fruticultura'', explica.
A cooperativa está disponibilizando as mudas da tangerina a preços mais baixos que os de mercado, insumos e assitência técnica grupal. A tangerina escolhida, de acordo com Volpato, é a cultivar montenegrina, que tem boa aceitação e é de produção tardia.
''A comercialização da fruta ocorrerá no período da entressafra das demais variedades, com preços melhores'', presume. A montenegrina tem vantagem sobre a laranja com relação à pragas: é mais tolerante ao ácaro da leprose e ao câncro cítrico.
A idéia é que a tangerina seja vendida in natura, afirma Volpato. Para isso os produtores estão sendo treinados também para se organizarem e cuidarem em conjunto da comercialização.
A cooperativa se compromete em comprar até 40% da produção, utilizando as tangerinas em sua fábrica de sucos. No entanto, para participar do projeto, Volpato garante que o produtor não é obrigado a entregar sua produção. ''Quem o fizer terá as mesmas condições dadas aos produtores de laranja'', avisa.
No caso dos produtores de laranja a cooperativa paga um preço mínimo de US$ 1,36/caixa posto na fábrica. ''Os preços para a tangerina não serão inferiores e o produtor receberá a diferença entre o mínimo e o preço de mercado no fechamento da safra''. Este ano a caixa de laranja foi vendida a US$ 2,20.
A produção começa a partir do terceiro ano com uma produtividade média de meia caixa por pé. A colheita se estabiliza no sexto ano do plantio, com uma produção de três caixas por pé.
O coordenador do projeto calcula que pelos preços da laranja e a com uma produção já estabilizada, o produtor terá a garantia de um salário mensal de R$ 400,00/ha. O custo de implantação está na ordem de R$ 2.300,00/ha.
Para os produtores que não possuem recursos, Volpato sugere as linhas de crédito oferecidas pelos governos federal e estadual, como o Pró-fruta, Pronaf e Paraná 12 meses. Mesmo com a demora no início da produção, para os produtores que utilizam a mão-de-obra familiar, ele garante que é possível pagar os custos de implantação até o final do quarto ano.
O projeto já conta com 35 produtores com a lavoura já instalada e outros em fase de estruturação. O prazo de implantação fixado pela cooperativa é de três anos. Até lá, a Cocamar espera atingir 375 propriedades.
Além da cooperativa, o Projeto Tangerina está recebendo apoio de prefeituras, como a de São Jorge do Patrocínio (73 km a oeste de Umuarama). Para o prefeito Aparecido Faleiro de Souza (PFL), a parceria ocorreu ''num momento oportuno''. O município depende da agricultura familiar.
A prefeitura está subsidiando 40% do valor das mudas além de fornecer técnicos para auxiliar na assitência aos produtores. O prefeito está confiante e acredita no sucesso do projeto. ''Precisamos de meios que nos ajudem a manter o pequeno produtor na terra'', conclui.


