A seca castigou para valer a lavoura de soja da região; em alguns casos as perdas passam de 70%. Comércio de pequenas cidades sente o reflexo da estiagem no campo e demissões não estão descartadas caso a próxima safra, a do milho safrinha, não seja melhor


Na zona rural, tristeza, desânimo, terra seca, plantas mirradas.
Na cidade, pouco movimento no comércio e bolsos vazios. A estiagem de aproximadamente 50 dias que castigou as lavouras de soja do noroeste do Paraná está causando enormes prejuízos aos pequenos municípios cujas economias dependem, e muito, do sucesso da produção agrícola. Os agricultores classificam a situação da quebra da safra como desesperadora. Em Floresta (25 km a oeste de Maringá), cidade cercada por lavouras de soja, o prefeito Antônio Fuentes Martins chegou a decretar estado de emergência nesta semana.
O desalento está nos olhos de homens que plantam a oleaginosa desde o tempo que a semente ia para a terra de forma manual, na década de 1960. Todos afirmam que a seca e a quebradeira de agora não têm precedentes. ''Nunca passamos por tamanha estiagem. Só nos resta levantar a cabeça e continuar trabalhando. Vamos pensar na próxima safra, pois para colher essa soja que temos aqui praticamente não compensa o combustível da colheitadeira'', resigna-se Jair Nicolau de Souza, um dos mais antigos agricultores do município, apontando para a soja rala, fraca. Ele não tem seguro da sua plantação de 16 alqueires.
O agricultor Rubens Gesualdo, que plantou com seus seis irmãos 100 alqueires de soja estima que não vai conseguir colher mais do que 20 sacas por alqueire. O normal, nas terras férteis da região, seria 120 sacas por alqueire. ''Vamos perder pelo menos 70%'', destaca Gesualdo, completando que o custo de produção por alqueire nesta safra foi de R$ 2,5 mil. O que fazer daqui para frente? ''Nós sempre investimos em sementes de boa qualidade e em tecnologia para a produção. Não vai ser agora, para o milho safrinha que vem por aí, que vamos deixar de fazer isso'', responde. A família Gesualdo também afirma não ter seguro.
Edson Amieiro, secretário de agricultura de Floresta calcula que a média de prejuízo dos agricultores locais será de pelo menos 65%. ''O decreto de estado de emergência foi motivado pela preocupação dos agricultores, que precisam renegociar dívidas, pagar funcionários e fornecedores. No comércio, a situação também é preocupante. Não sabemos o que vem pela frente. Se a seca continuar, a situação vai se agravar ainda mais'', lamenta.
No maior mercado da cidade de 5,2 mil habitantes, o proprietário, Jesus Rodrigues Morelli, diz que o movimento caiu 30% por conta da estiagem. Segundo ele, os primeiros a diminuir o volume de compras foram os agricultores. ''Já estamos ficando preocupados. Se a seca persistir, vamos ter que demitir funcionários''. Na farmácia de Marcos Sapata, o movimento caiu ainda mais. ''Em torno de 70% dos meus fregueses sumiram. Aqui é assim: se não tem dinheiro no campo, não tem dinheiro no comércio'', comenta.

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