No rastro da qualidade
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sábado, 27 de outubro de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
A preocupação por parte dos consumidores quando o assunto é a aplicação em excesso de substâncias químicas em determinados alimentos tem se tornado cada vez mais comum e gerado muitas discussões, principalmente de órgãos ligados à saúde. Em produtos que podem ser ingeridos in natura como frutas, verduras e legumes, o temor de contaminação por agrotóxico é ainda maior. Mesmo com uma agricultura tecnificada e evoluída, como se vê no Brasil, alguns produtores ainda desconhecem ou até mesmo ignoram regras básicas de aplicação de defensivos, o que resulta na preocupação das pessoas sobre o que consomem. E não sem razão, já que sem os devidos cuidados os alimentos podem ser contaminados.
Segundo especialistas, esse problema pode ser facilmente resolvido no campo com o uso das boas práticas de aplicação de defensivos. Para garantir que nenhum produto supostamente contaminado chegue até a mesa do consumidor, o Paraná está desenvolvendo um programa de rastreabilidade de alimentos chamado Alimento Seguro.
O projeto permitirá rastrear alguns produtos de origem vegetal por meio da rotulagem dos produtos ainda na propriedade. O programa é uma resolução conjunta entre as secretarias estaduais da Saúde e da Agricultura em parceria com outras 11 instituições ligadas ao setor de alimentos. Depois da assinatura do programa, que deverá ocorrer até o final deste ano, todo o produtor que quiser comercializar o seu produto nas Centrais de Abastecimento (Ceasa) do Paraná terá obrigatoriamente que rotular o seu produto.
O sistema de rastreabilidade vegetal nada mais é do que o monitoramento de toda a cadeia produtiva. Serão verificadas se foram adotadas todas as boas práticas de produção, incluindo o uso de agroquímicos.
Por meio desse rótulo, o consumidor terá acesso a informações como a origem do alimento, nome do produtor, lote, validade, entre outros detalhes. Para receber a autorização do uso do rótulo, que ainda não foi desenhado, o produtor terá que seguir todas as recomendações agronômicas e fitossanitárias para a cultura que produz, principalmente quanto ao uso de defensivos agrícolas. De acordo com o secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, já foi implantado um plano piloto na Ceasa em Curitiba. Agora, o objetivo é estender o programa a todas as Ceasas do Paraná, que servirão de base para o monitoramento.
''Já começamos a coletar as amostras na Ceasa há algum tempo. Agora precisamos dar o passo para começar a rotular os alimentos'', comemora o secretário. Ortigara espera que daqui a um ano e meio o programa Alimento Seguro esteja 100% implantado no Paraná. O secretário aponta que, inicialmente, caberá aos produtores ou aos distribuidores a rotulagem dos produtos, ''mas ainda estamos estudando esse processo'', observa. Como a produção de hortaliças e frutas envolve pequenos e médios produtores, o programa foi concentrado nas Ceasas.


