Instalações simples no confinamento, muitos graõs de milho para silagem, e o cruzamento certo, tendo como base o nelore. Estes são os ingredientes essenciais para conseguir os chamados animais superprecoces que estariam prontos para o abate ao final de seu primeiro ano de vida.
Pecuaristas de vários Estados brasileiros estão trabalhando para a produção de um animal pronto para o abate aos 12 meses, com qualidade de carne superior e couro tipo exportação. A informação é da Associação Nacional dos Confinadores, fundada recentemente, com sede em São Paulo, e associados espalhados pelos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, entre outros. No Paraná um núcleo da associação deverá ser montado em breve, em Curitiba.
Carne maciaDe acordo com o vice-presidente da entidade, Antônio de Oliveira Pereira, além de trabalhar pela melhoria dos confinamentos tradicionais, a associação está divulgando entre seus 300 associados esta nova modalidade de sistema de produção. Foi firmado um convênio com a Unesp de Botucatu, SP, que se encarregará de repassar a tecnologia dos superprecoces aos criadores.
O coordenador do projeto da Unesp de Botucatu, Antônio Carlos Silveira, explica que o novilho superprecoce seria um animal abatido aos 12 meses de idade que, além de pesar as 16 arrobas, tem uma carne de boa qualidade, ‘‘já que a precocidade é uma das ferramentas para garantir a maciez da carne.’’
Peso à desmama O superprecoce é conseguido através de cruzamento industrial orientado, onde o nelore é a base e o macho é de origem européia. Os filhos, provenientes do cruzamento, recebem ração suplementar durante a amamentação. Os animais são alimentados no sistema de creep-feeding, numa ração desenvolvida pela própria Unesp, com finalidade de aumentar o peso à desmama.
Os animais são desmamados aos sete meses, pesando no mínimo 240 quilos (kg). O peso à desmama, de animais não suplementados, não ultrapassa os 200 kg. Depois da desmama os animais são confinados por 150 dias. Por serem jovens e leves consomem pouco alimento para ganhar 1 kg de peso.
Alta conversãoNestes 150 dias a média de consumo diário é de 5 a 5,5 kg de matéria seca para ganhar um 1 kg de peso. Ao final dos 150 dias deverão pesar 16 arrobas ou 450 kg. A conversão é maior do que se consegue com animais mais velhos e, consequentemente, acaba sendo mais econômica para o criador. Animais mais velhos em confinamento consomem cerca de 10 kg de matéria seca para ganhar 1 kg de peso.
Também o rendimento de carcaça dos superprecoces é mellhor, garante Silveira. ‘‘Acima de 56% e a qualidade da carne é boa.’’ A fazenda da Unesp de Botucatu trabalha na produção de animais superprecoces há seis anos. No manejo alimentar os animais recebem silagem de milho com 35% a 37% de matéria seca.
Melhores preçosO objetivo do convênio é divulgar as técnicas e conseguir aumento na produção deste tipo de animal. Com isso os produtores esperam pressionar os frigoríficos para pagamento de melhores preços por uma carne diferenciada, já que a qualidade do superprecoce é do tipo exportação. Outra vantagem é que são animais que não viveram no pasto e nem foram atacados por ectoparasitas, por exemplo, beneficiando a qualidade do couro.
A adoção da prática requer investimentos por parte do criador. Instalação para o confinamento e a produção de grãos, que são a base da tecnologia. De acordo com Silveira, o retorno é rápido e se dá no mesmo ano da produção, já que os animais são abatidos aos 12 meses. O custo de um superprecoce é de R$ 15 a R$ 16 a arroba.

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