No Paraná, importações aumentam 150% no primeiro semestre
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sábado, 20 de julho de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha
Se de um lado a expectativa é de queda dos volumes da produção paranaense de trigo, por outro já se percebe um ritmo mais intenso de importações da commodity. É conhecido que o Brasil não é autossuficiente da cultura e anualmente importa grandes volumes da Argentina e também dos Estados Unidos.
Bem, no primeiro semestre, o Brasil importou 3,3 milhões de toneladas de trigo, alta de 5% comparado ao último ano. Já no Paraná, o crescimento percentual foi mais significativo: 382 mil toneladas chegaram ao Estado, elevação de 150% frente ao período anterior. Uma movimentação de US$ 86 milhões, valor 190%. Os números foram levantados pelo economista da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Luiz Eliezer Ferreira. “Isso significa que a demanda interna está sendo suprida por essas importações. O Deral reduziu a área de condições de lavouras boas de 95% para 67%, queda muito significativa e que vai impactar demais na produção.”
Na Argentina, em que a colheita acontece em outubro e segue até janeiro, a área de produção de trigo é recorde, com expectativa de plantio em 6,6 milhões de hectares. A projeção é para uma colheita de 20 milhões de toneladas, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). “Se a produção paranaense menor confirmar, poderemos ter mais volume do trigo argentino chegando no Estado”, explica o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho.
OFERTA E CONSUMO
De acordo com Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ), a oferta e o consumo mundiais de trigo na safra 2019/20 devem ser maiores do que os da temporada anterior, o que pode elevar a relação estoque/consumo para o terceiro maior patamar da história (37,89%) e pressionar as cotações no médio prazo.
De acordo com dados do USDA, a oferta mundial do cereal pode somar 771,4 milhões de toneladas, volume 1,2% inferior ao estimado no relatório anterior, mas 5,5% superior à produção de 2018/19, reflexo do aumento na disponibilidade na União Europeia, Austrália, Rússia e Ucrânia.
O consumo, por sua vez, está estimado em 760,1 milhões de toneladas, 3,2% maior do que em 2018/19, mas queda de 0,4% frente ao reportado em junho. No caso dos Estados Unidos, a oferta deve aumentar e os preços podem cair, contribuindo para a maior relação estoque/consumo mundial.
No Brasil, de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para a safra 2019/20, a oferta deve ser de 5,49 milhões de toneladas, 1,1% maior do que a da temporada anterior e 0,27% acima do previsto em junho. Esse volume somado às importações de 7,2 milhões de toneladas e ao estoque inicial de 831,8 mil toneladas podem resultar em disponibilidade interna de 13,52 milhões de toneladas.
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