A Granja Refem está instalada numa área de 1,2 mil hectares, 700 deles reflorestados, com 230 mil aves poedeiras; em outubro salta para 630 mil aves
A Granja Refem está instalada numa área de 1,2 mil hectares, 700 deles reflorestados, com 230 mil aves poedeiras; em outubro salta para 630 mil aves | Foto: Divulgação

O Paraná possui uma base sólida de produção de ovos no sistema convencional, como acontece em cidades do Norte do Estado. Em alguns supermercados da região, entretanto, já é possível ter acesso a ovos cage-free, basicamente oriundos de outros estados, como Minas Gerais. Mas é de olho nesse mercado que uma granja de Cascavel iniciou recentemente a produção de ovos de galinhas livres, já com certificação, e apresenta sua estrutura impressionante nesta edição da Folha Rural. Projeto é pioneiro no Estado.

Renato Festugato, dirigente da Granja Refem, explica que o projeto iniciou sua implementação no ano passado. No mesmo local, granja trabalhava anteriormente – em parceria com outra empresa – na produção de pintainhos, ovos férteis que se tornavam frangos de mesa. “Com a crise do setor avícola, tivemos uma dificuldade financeira com o parceiro e o projeto estacionou. Então, buscamos uma alternativa para readequar os aviários. Líamos muito sobre o bem-estar animal, agricultura orgânica e já tínhamos uma tendência de que seguir nessa linha seria interessante”, explica o empresário do agro.

A granja impressiona por estar instalada numa área de 1,2 mil hectares, com 700 hectares de área reflorestada. A operação com as galinhas foi iniciada recentemente, e, nesta primeira fase do projeto, são 230 mil aves. Em outubro, o número salta para 630 mil aves. A postura das galinhas iniciou há cerca de 30 dias e – em mais 15 dias – a produção atingirá 220 mil ovos por dia. O investimento total para readequar os galpões para a realidade do cage-free foi de R$ 50 milhões.

O valor também inclui um entreposto com uma classificadora de ovos bem moderna e uma fábrica de ração, já que a produção não admite alimentos com antibióticos, o que é bem comum no setor. O empreendimento gera 140 postos de trabalho e os funcionários moram numa vila dentro da propriedade. “Hoje ainda estamos padronizando os ovos e muitas galinhas ainda não entraram em postura. Estamos comercializando nossos ovos com fornecedores mas, em mais 15 dias, chegaremos ao consumidor final com a nossa marca, a Top Eggs.”

Para atende todas as normas da produção e certificação com as galinhas livres, a granja conta com três veterinários e dois técnicos com extensa bagagem no mercado. “Muitos já tinham experiência em ovos férteis, que é bem complexo. A própria certificadora também nos instrui, ou seja, temos uma cartilha a ser seguida.”

Festugato não nega que ficou com um pouco de receio de ingressar nesse mercado, que ainda tem uma base pequena comparada ao consumo do ovo produzido no sistema convencional. “Por outro lado, apostamos no início da postura na época da quaresma pensando numa boa absorção, demanda maior devido ao reinício das aulas, merenda escolar e chegada do novo governo. Acabou dando certo. É uma grata surpresa porque a procura está muito grande.”

Para a sequência do trabalho, a expectativa é a melhor possível, até pela característica da proteína. “Estamos muito confiantes porque se trata de uma proteína de baixo valor. Com as pessoas voltando a ter um melhor ganho mensal, pode absorver esse ovo”. Além do mercado interno, com fornecedores e grandes redes de supermercado, a expectativa é que a granja Refem também chegue ao mercado internacional.

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